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Entrevista | Entrevista | Inclusão

Para incluir é preciso transformar como se ensina

Para especialista, a inclusão requer um novo modo de pensar a didática e a escola

Crédito: Pedro Prado/ Divulgação

Como diretores podem promover a inclusão?

O diretor tem a responsabilidade pela escola e deve organizar todo o trabalho. Na Itália, todas as instituições de ensino têm um plano anual de inclusão. É nele que estão descritos os projetos de Educação Especial da escola, as ações e o que é oferecido a todos os alunos (com deficiência ou não). O diretor recebe as famílias, apresenta a elas esse material e, com base nele e nas informações trazidas pelos pais da criança, prepara junto com a equipe da escola e o apoio do estado para garantir a infraestrutura necessária - a instituição para atender a esse novo aluno.

Como os espaços podem ser organizados?
Há escolas em que o aluno com deficiência está sempre na mesma sala com o restante da turma. Em outras, há momentos em que ele frequenta um atendimento especializado. O importante é que mesmo esses momentos em que ele está separado favoreçam a inclusão e o convívio dele com os colegas. Não basta que ele fique lá fazendo tarefas e atividades ligadas ao conteúdo das aulas. Lembro de uma criança autista que tinha dificuldades em estar com o restante da turma. Então, iniciamos um trabalho com ela em uma piscina pública e, depois, levamos os colegas para brincar nessa piscina também. A interação entre eles mudou completamente. O aluno autista passou, com o tempo, a brincar e interagir. É possível fazer algo parecido com ateliês de pintura e criação.

O que a formação dos professores sobre inclusão deve abordar?
É preciso, na verdade, transformar a didática. Os professores precisam pensar em como podem mudar o seu jeito de ensinar para todos e não apenas adaptá-lo aos alunos com deficiência. Nas formações que realizo, criamos momentos em que um grupo de professores se faz essa pergunta e busca soluções. Como trabalhar a contação de histórias, por exemplo, em turmas com crianças cegas? Isso pode ser feito também nos momentos de planejamento em conjunto. Assim, os educadores notam que não estão sozinhos, que há outros que enfrentam os mesmos desafios e que podem até compartilhar as soluções já encontradas.

Como a inclusão conversa com o currículo?
É importante que o currículo seja individualizado. Deve haver uma discussão entre os professores em que pensem sobre todos os estudantes. No caso das crianças com deficiência, esse trabalho deve envolver também profissionais de saúde, que ajudam a entender o diagnóstico e identificar as potencialidades delas. Eventualmente, o aluno com deficiência não aprende a ler e a escrever ou fazer contas. Por isso, é importante que ele - e os demais alunos - seja visto para além das habilidades cognitivas e tenha um planejamento individual. É assim que as melhores escolas trabalham, não só na Itália mas em todo o mundo, inclusive no Brasil.

LUCIA DE ANNA, professora responsável pelo Laboratório de Didática e Pedagogia Especial da Universidade de Roma. Realiza pesquisas sobre inclusão e Educação Especial na Europa e nos Estados Unidos.

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