Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias
RDRevista Digital

Nova Escola

Nesta área você encontrará todo o acervo da revista de maneira organizada e em formato digital

Em dia | Caro Educador


Por: Leandro Beguoci

Quem carrega a pedra da defasagem?

A defasagem é um problema grande, mas ela não precisa ser uma pedra empurrada pelos educadores

Ilustração: Adriana Komura

Há muitas metáforas para ilustrar os desafios da defasagem, mas talvez venha da Grécia antiga uma das melhores imagens para resumir o sentimento dos educadores em relação aos alunos que ficam para trás no processo de aprendizagem. Sísifo, na mitologia grega, foi condenado pelos deuses a rolar uma pedra montanha acima, eternidade adentro. Quando chegava ao topo, a rocha voltava morro abaixo. Assim, ao longo dos séculos, a expressão trabalho de Sísifo virou sinônimo de tarefa inútil e repetitiva.

Hoje, muitos educadores se sentem como Sísifo. Diante de alguns alunos, em especial em algumas escolas, a frustração é tão grande quanto a evocada pelo mito. São crianças e adolescentes que não avançam apesar de incontáveis esforços, que chegam ao final de algum ciclo sem conhecimentos básicos da etapa anterior. As razões para isso são as mais diversas: individuais, familiares, escolares, sociais. A lista é enorme e razoavelmente conhecida. Olhando para ela, os professores se desesperam. Outros desanimam.

Pois bem, existe um caminho para sair dessa montanha. Quanto mais olhamos para dificuldades grandes, mais distantes estamos da solução. Afinal, por definição, a escola é o ponto em que muitos problemas se encontram. Alguns são graves e não estão ao seu alcance – você não vai mudar a estrutura familiar dos seus alunos. Mas, em alguns deles, você tem muita força. São os desafios pedagógicos. Quando você olha para o aluno e para as intervenções que pode fazer, alguns caminhos ficam mais claros, simples de colocar em prática. Nesta edição, mostramos quais são os gargalos da aprendizagem, por que eles acontecem e quais intervenções você pode fazer. Identificamos problemas graves no ciclo de alfabetização e na mudança de etapa, especialmente na evolução para o Fundamental 2. Mostramos, com a ajuda de professores Brasil afora, o que pode e o que não pode ser feito em cada momento. Garanto: aprendemos muito sobre intervenções contra a defasagem enquanto fazíamos a revista que acaba de chegar em suas mãos. Mas tão importante quanto isso foi separar as razões pelas quais ela acontece das soluções para resolvê-la ou amenizá-la. Na Educação, é comum afirmar que algo dentro da sala de aula só pode ser resolvido se várias coisas forem acertadas, antes, fora da escola.

Ao terminar esta edição, consigo dizer com muita tranquilidade: é preciso mudar essa abordagem. Quando resolvemos os problemas que estão ao nosso alcance, aos poucos acumulamos energia, encontramos aliados e temos ideias para encarar os desafios, não importa o tamanho. Concorda? Discorda? Quero te ouvir: leandro@novaescola.org.br. Quem sabe você tem ideias para livrar Sísifo dessa maldição – e para ajudar outros alunos a superar as montanhas da vida...

Um abraço,

LEANDRO BEGUOCI, Diretor editorial e de conteúdo.