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Caixa Matemática: materiais de apoio para a sala de aula

O uso de diferentes materiais manipulativos permite explorar conteúdos dentro de todas as unidades temáticas da disciplina

POR:
Mara Mansani
Materiais manipulativos que fazem parte da Caixa Matemática. Crédito Patrícia Cordeiro

Nós, professores, estamos sempre em busca de novas e variadas estratégias didáticas que possam contribuir no processo de ensino e aprendizagem, para que esta seja significativa e nossos alunos desenvolvam cada vez mais. Essas estratégias podem ser, por exemplo, práticas educativas inovadoras,  materiais didáticos ou ferramentas digitais. Hoje, vou compartilhar com vocês, queridos professores, a experiencia do uso de materiais didáticos manipulativos e outros objetos que auxiliam a aprendizagem da Matemática.

Nas duas escolas em que trabalho foram montadas caixas com vários objetos referentes ao ensino da Matemática. Na EMEF Professora Sílvia Haddad, em Salto de Pirapora (SP), a nossa “Caixa Matemática” foi montada pela coordenadora Patrícia para uso coletivo dos professores. Entre os objetos, nessa caixa contém réguas de variados tamanhos, calculadoras, sólidos geométricos, compasso, fita métrica, trena, copos de medidas, embalagens plásticas de capacidades variadas, dados, Tangran, relógios, ábacos, balança e palitos. Ou seja, instrumentos variados que podem, se bem utilizados, explorar e desenvolver a aprendizagem e o desenvolvimento dos conteúdos dentro de todas as unidades temáticas: números, álgebra, geometria, grandezas e medidas e probabilidade e estatística.

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A Matemática traz em seu conjunto de conteúdos, conceitos e relações que, em sua essência, são de natureza abstrata. Muitas vezes são de difícil compreensão pelos alunos, mas que podem ser representados, ilustrados e modelizados, através do uso desses materiais e de diferentes suportes físicos.

Durante esses 32 anos de magistério, nas várias escolas que lecionei, por variados motivos, não tive acesso ao uso desses materiais. Meus instrumentos foram lousa, caderno e o livro didático. Isso custava muito tempo da aula para aprendizagem. Também demandava esforço demasiado, provocava desgaste mental e não garantia a aprendizagem de todos os meus alunos.

Os especialistas, em seus estudos na Educação, nos mostram que os alunos aprendem mais e melhor a Matemática (e outras disciplinas) quando podem participar de situações que lhe proporcionem trocas de ideias, construção e confrontos de hipóteses, manipulação e observação de materiais, experimentação, vivência em práticas que exploram o uso social do conteúdo a ser aprendido e que simulem situações do cotidiano. Por exemplo, aprender horas com o manuseio e observação de um relógio, é muito mais eficaz e entendível, do que fazer exercícios e mais exercícios no caderno. Ou mesmo como falar de grandezas, se não há a prática que leve a comparações e sem o uso dos instrumentos adequados?

Sempre desenvolvo com os alunos desde a alfabetização, uma prática que explora medidas em sala de aula (não convencionais e convencionais). Em grupos, eles têm que medir vários objetos e espaços na sala de aula. Primeiro medem usando o próprio corpo, mãos e pés com estratégias pessoais. Depois, usam os instrumentos de medidas convencionais. Peço que meçam também os colegas e objetos da sala, como carteira, porta, lousa, um lápis que ainda não foi apontado com apoio da Caixa Matemática. Assim, eles podem discutir e pensar a melhor forma  de medir usando os instrumentos mais adequados. Para medir a carteira geralmente utilizam a régua, mas para medir objetos e espaços maiores, já sentem e compreendem a necessidade de instrumentos apropriados, como trenas, por exemplo. Há muita aprendizagem envolvida nessa prática.

Crédito: acervo pessoal

Mas não se iluda: a utilização desses instrumentos Matemáticos por si só não garantem uma aprendizagem significativa. O professor tem papel de grande importância nesse processo, pois é preciso um bom planejamento, as devidas intervenções pedagógicas e as orientações de como e quando usar esses materiais para que essa aprendizagem ocorra de forma efetiva. Penso que a Caixa Matemática é uma ferramente e que os alunos vão ganhando mais conhecimentos ao utilizá-la. O acesso e uso, pelos alunos, desses materiais, quando bem selecionados e utilizados, podem:

·         Inovar as práticas educativas em sala de aula;

·         Proporcionar a construção e entendimento de conceitos abstratos na Matemática;

·         Oferecer aos alunos a oportunidade de relacionar o uso da Matemática em situações reais, do cotidiano;

·         Tornar o estudo mais rico e desafiador;

·         Proporcionar interações e reflexões que levem a construção do conhecimento.

Ou seja, contribuem muito na aprendizagem. Nossa Caixa Matemática, foi preparada para atender alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, mas ela pode ser construída em qualquer etapa de ensino, da Educação Infantil até os anos mais avançados. É só levar em consideração os conteúdos e necessidades de aprendizagem dos alunos em diferentes etapas, fazendo suas adaptações. O melhor seria que cada turma tivesse sua própria Caixa, mas, se ainda não for possível, é só fazer uma boa programação para o uso de todos.

E vocês, queridos professores? Tem acesso e usam esses importantes instrumentos de apoio a matemática em sala de aula? Que materiais fazem parte do acervo matemático da escola? Como vocês têm usado esse material? Já conheciam a Caixa Matemática? Pretendem construí-la em sua turma e ou escola? Conte aqui nos comentários!

Espero que tenham gostado e compreendido o uso da Caixa Matemática!
Um grande abraço e até semana que vem,

Mara Mansani

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