Brasil ainda tem 11,5 milhões de analfabetos com mais de 15 anos

Estudo divulgado pelo IBGE aponta ainda que 25,2 milhões de jovens não frequentam a escola ou curso

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NOVA ESCOLA
Alunos de escola pública participam de Olimpíada de Matemática   Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

O Brasil tem mais de 25,2 milhões de jovens entre 15 e 29 anos que não concluiu o ensino superior e nem frequenta escola, curso ou qualquer outra instituição regular de ensino. Esse número representa mais da metade dos jovens nessa faixa etária, que poderia e deveria estar na escola, e aumentou em relação ao ano anterior. São mais 330 mil jovens fora da escola, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Baseado nos dados do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o estudo mostra também que, em números absolutos, 11,5 milhões de jovens com 15 anos ou mais ainda não sabem ler e escrever. O número representa uma queda de 7,2% em 2016 para 7,0% em 2017, mas não é razão para comemorar. O índice estipulado pelo Plano Nacional de Educação (PNE) é de 6,5% – e deveria ter sido atingido em 2015. A lei estabelece que o analfabetismo deve estar errado em todo o país até 2024.

Das 27 unidades da federação, 14 estão dentro da meta do PNE. Alagoas é o estado com maior índice de analfabetismo da população de 15 anos ou mais, com 18,2% sem saber ler e escrever. Na sequência aparece o Piauí, com 16,7%, e Pará, com 16,6%. A Paraíba registra 16,5% e em quinto lugar, o Sergipe com 14,5%. Na ponta contrária, ou seja, entre os estados com menor índice de analfabetismo nessa faixa estão o Rio de Janeiro e Distrito Federal empatados com 2,5% de analfabetos, São Paulo e Santa Catarina com 2,6%, o Rio Grande do Sul com 3% e Paraná, com 4,5%. Quando se olha em termos de região, o maior problema está no Nordeste, que registra uma taxa de 14,8% de analfabetos com 15 anos ou mais. Em segundo lugar aparece a região Norte, com 8,5%. O Centro-Oeste tem 5,7%, o Sudeste tem 3,8% e o Sul, 3,6%.

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A olhar para gênero, os homens têm uma média superior de analfabetismo, que está em 7,4% contra 7% para as mulheres. Considerando cor ou raça, as estatísticas mostram claramente que não saber ler e escrever é maior entre negros e pardos, ficando em 9,3%, mais do que o dobro do analfabetismo entre a população branca, que é de 4,2%.

Outra meta do PNE que não foi alcançada é de garantir que 85% dos alunos do Ensino Médio estejam na idade esperada. Apenas

68,4% dos alunos do Médio se enquadravam na etapa, índice bem próximo do atingido em 2016, que ficou em 68%. Essa meta é de 95% para o Ensino Fundamental e foi cumprida no ano passado, quando ficou em 96,5%. Os dados da Pnad apontam, entretanto, que ao olhar especificamente do 6º ao 9º ano, esse número cai para 85,6%.

Ensino superior cresce

O levantamento feito pelo IBGE mostra que houve aumento no percentual de pessoas com 25 anos ou mais de idade com Ensino Superior Completo. Esse índice foi de 15,3% em 2016 para 15,7% em 2017. A barreira social e econômica que afeta a população preta e parda, presente no maior índice de analfabetismo, reaparece no ensino superior: enquanto 22,9% de brancos contam com diploma e superior completo, esse número cai para 9,3% entre pretos e pardos. Houve uma melhora em relação a 2016, quando esses números ficaram em 22,2% e 8,8%, respectivamente.

 

 

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