Essa tal de genética

Para a turma ficar craque no assunto, um bom caminho é relacionar o conteúdo tradicional a experiências como clonagem e transgenia

POR:
Bianca Bibiano
Ilustração: Gerson Mora. Clique para ampliar

Consultoria Roberto Novais, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Faz algum tempo que as pesquisas genéticas deixaram de ser novidade. Já se passaram 12 anos desde a criação da ovelha Dolly e, nesse intervalo, foram tantas as conquistas científicas que é difícil não pensar em clones e em alimentos transgênicos como assuntos do cotidiano. Mesmo assim, ainda existe muita confusão na cabeça dos alunos: clonagem de plantas e animais transgênicos: isso é mesmo possível? A Dolly é um animal de verdade? Onde entra a hereditariedade nessa história toda? E os genes? Para que servem afinal? "Essa miscelânea de dúvidas surge porque os jovens têm ideias pouco organizadas sobre as células, a ponto de confundi-las com átomos e moléculas e até com tecidos", explica Maria Júlia Corazza, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Para solucionar o problema, não basta somente ensinar as famosas leis de Gregor Johann Mendel (1822-1884) e relacioná-las ao comportamento dos cromossomos. É preciso encaminhar revisões de conceitos da Biologia, como herança genética, estrutura celular, ácido desoxirribonucleico (DNA) e célula-tronco. Só depois disso é hora de desmistificar os processos de transgenia e clonagem e mostrar que eles são realizados em laboratório tanto com vegetais (leia o infográfico à direita) como com animais.

A transgenia consiste em desenvolver organismos geneticamente modificados (OGMs), ou seja, em transpor uma característica de uma espécie para outra, introduzindo o gene da primeira no DNA da segunda (leia a sequência didática no quadro da página 60). O objetivo é melhorar o organismo - por exemplo, fazer uma planta se tornar mais resistente a uma praga, uma laranja ter uma dose extra de vitamina C e uma bactéria produzir insulina, o que diminui o custo de fabricação do remédio.

Ao abordar a clonagem - processo pelo qual se desenvolve uma cópia exata de um ser vivo com base em uma célula, preservando todas as características genéticas do original -, vale lembrar que a técnica não precisa ser sempre complicada, como no caso da Dolly. Na ocasião, foram 277 embriões clonados até chegar a ela, que acabou morrendo sete anos depois, com problemas de saúde. No caso da clonagem de vegetais, as etapas são mais simples tanto em laboratório como em casa. Sim, as mudas de plantas, obtidas por ramos ou folhas retirados de um vegetal, são resultado de clonagem. Além disso, ressalte que os gêmeos idênticos, gerados com base em um único zigoto, também são exemplos de clones gerados naturalmente.

A clonagem e o homem: uma relação delicada

É interessante entrar na polêmica sobre a clonagem humana. É normal que a turma se agite com a questão - o debate científico é acalorado também. Entre diversos problemas, clones humanos acabariam com a diversidade da espécie. No entanto, foque o debate no processo científico a ser realizado para que isso ocorra. É preciso determinar a célula do corpo a ser regredida em laboratório até que volte a ser uma não especializada. Esse estudo é complicado, pois os genes de cada tipo de célula são específicos, o que impede seu funcionamento se colocados em outras. Por fim, ressalte que a clonagem pode ser usada para fins terapêuticos. Se o objetivo é tratar doenças, o processo consiste em gerar embriões clones do paciente, extrair deles células-tronco e manipulá-las para que originem tecidos específicos.

Quer saber mais?

CONTATOS
Guilherme Cotomacci
Maria Júlia Corazza
Roberto Novais

BIBLIOGRAFIA
Clonagem: da ovelha Dolly às Células-Tronco, Lygia da Veiga Pereira, 88 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-172-002, 30,90 reais 

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