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O que é o STEM - e como ele pode melhorar a sua aula

A abordagem engaja os alunos em atividades práticas que misturam diferentes conhecimentos e conduzem a uma aprendizagem criativa

POR:
Paula Peres
Ilustração: Shutterstock

“Mas o que eu faço com isso que aprendi?” Todo professor já ouviu ou ainda vai ouvir essa pergunta de seus alunos, diante de uma aula com muitos conceitos e conteúdos. Há maneiras de transformar as aulas em atividades mais práticas, que colocam os estudantes para testar suas hipóteses com a mão na massa. Uma delas é o STEM.

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STEM é a sigla em inglês para Science, Technology, Engineering e Mathematics (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, em português). A ideia original é unir conhecimentos dessas quatro áreas em torno da construção de algo que resolve o desafio proposto.

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Quem vê pensa que estamos falando sobre a inserção de programação, robótica, impressoras 3D nas aulas. Pode ser isso, mas também pode ser algo mais simples e possível para as escolas públicas de todo o Brasil. Muitos acreditam que se trata de uma nova metodologia. O professor Leandro Holanda, mestre em Ciências e especialista da área de Química do Time de Autores NOVA ESCOLA, discorda. “Não é uma metodologia, mas uma abordagem pedagógica focada em aprendizagem criativa”, explica.

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Na prática, o STEM funciona em forma de oficinas criativas para que os alunos, reunidos em grupos, possam resolver algum desafio de maneira prática. Na Virada de Autores da NOVA ESCOLA, realizada entre 19 e 22 de abril, os professores autores de planos de aulas de Ciências assumiram o papel de alunos para colocar a mão na massa na oficina de STEM.

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A atividade pode ser replicada facilmente em sala de aula e foi dada da seguinte maneira. Os professores receberam um bilhete de um suposto vizinho que lhes pedia para tomar conta de seu animal de estimação. Porém, o animal de estimação era um urso pardo. O desafio: como alimentar, hidratar e entreter um urso pardo, e ainda sair vivo?

Todos tinham carta branca para criar protótipos de engenhocas que servissem para alimentar o animal, usando copos plásticos, palitos de sorvete, material de papelaria, sucata e outros elementos que encontrassem no entorno, como pedras, folhas, pinhas. Na elaboração, produção e no teste desses protótipos, lançavam mão de seus conhecimentos, ainda que informais, sobre Engenharia, Física, Ciência, Biologia e outras áreas. Os resultados foram diversos, de catapultas a canos de PVC que transferiam o alimento de uma janela a outra.

Leandro explica que nessa atividade, as perguntas são fundamentais para que os alunos avancem em suas hipóteses, e que, por mais que o docente sinta necessidade de controlar um pouco a energia da turma, o ideal é deixar que os alunos debatam, fazendo intervenções que instiguem os grupos (evitando oferecer respostas) e servindo de mediador. “Quem olha de fora tem a impressão de que a sala está uma grande bagunça, mas ao chegar mais perto dos grupos, percebe que eles estão desenvolvendo ideias incríveis”, afirma.

Ao entrar em contato com essa abordagem, pode ser que os professores queiram aplicá-la a todo momento. Porém, em excesso, ela pode ser um erro. “É interessante pensar em aulas diferentes, mas tudo em exagero se torna parte da rotina e previsível. O STEM pode integrar uma série de abordagens, todas centradas no estudante”, aconselha Leandro. Ele explica que há duas possibilidades de aplicação:

  1. Desafios de STEM, que podem ocorrer em uma ou duas aulas, para iniciar a construção de um objeto de conhecimento;
  2. O STEM como parte de um projeto integrado, que acontece em várias aulas e com etapas melhor definidas, em que os alunos levantam um problema, realizam uma pesquisa com dados, e propõem a construção de algo que necessite mais de uma aula para a produção e os testes de aplicação.

Veja, a seguir, os fundamentos principais do STEM e algumas dicas práticas para aplicar em sua aula:

Foco na integração de conhecimentos
É comum dizer que o STEM precisa, necessariamente, equilibrar conhecimentos das quatro áreas. “Se o professor quiser incluir a Matemática nessa atividade, pode pedir para os alunos investigarem os custos de produção dessas máquinas, por exemplo, mas creio que não é necessário ter sempre as quatro. O principal é que seja um desafio prático que necessite de conhecimentos de diferentes áreas”, explica Leandro.

Estabeleça a relevância, problematize, instigue os alunos
A turma só vai se engajar diante de um desafio interessante, que não traga respostas que sirvam apenas de teste, mas que dê espaço para sua imaginação trabalhar, e materiais para que eles possam produzir, testar e refazer (lembrando que sucata é um excelente material que pode ser adquirido de maneira colaborativa pela turma).

Ao final da atividade, na hora de sistematizar os conhecimentos, vale pensar em momentos que saiam da aula expositiva, para que os estudantes sejam motivados a compartilhar o que aprenderam. Pode ser através de um debate ou de apresentação, por exemplo.

Enfatize habilidades socioemocionais
O STEM é uma atividade que deve ser feita em grupos, e a divisão das tarefas é importante. Um dos alunos pode ser o relator, que vai descrever o passo a passo dos experimentos do grupo e compartilhar com a turma. Outro pode ficar responsável por buscar os materiais necessários, enquanto outro pode fazer a demonstração diante da classe. “Ao longo das aulas, o professor pode ir trocando esses papeis. Vale cuidar dos combinados, relembrar que os materiais são compartilhados, então os grupos precisam pensar em suas necessidades, mas também nas necessidades dos demais”, sugere Leandro.

Organize projetos com problemas reais e lance o desafio
Para que o desafio faça sentido, o professor precisa pensar no contexto da aula. Nem toda aula terá um momento de produção ativa, e isso não é um problema. “É necessário pensar se existe de fato algo que possa ser construído pelos estudantes, e que durante essa construção eles vão conseguir levantar ou aplicar conceitos, resolver problemas, propor soluções”, diz Leandro.

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