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Coloque os alunos para se alimentar melhor e praticar exercícios

Prêmio da Fundação Nestlé Brasil prevê apoio financeiro para propostas que estimulem a adoção de hábitos saudáveis nas escolas

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Turma da EPG Manoel Rezende da Silva, em Guarulhos: hábitos saudáveis também na sala de aula  Foto: Acervo pessoal

Luciellen Eufrasio de Carvalho Ferreira, professora do 1º ano da EPG Manoel Rezende da Silva, em Guarulhos, ouvia das cozinheiras da escola que sua turma estava entre as piores para comer. As crianças não queriam legumes e gostavam de poucas frutas. Já para Karina da Paz Pimenta Xavier, professora de Educação Física na EMEF Professor Francisco da Silveira Bueno, em São Paulo, o desafio era mostrar a alunos, funcionários, demais colegas docentes e famílias quanto praticar atividades físicas é importante e prazeroso.

As duas resolveram, então, planejar e desenvolver projetos que inserissem o estímulo à adoção de hábitos saudáveis em suas aulas. Com as ações trabalhadas, ambas foram destaque no Prêmio Nutrir nas Escolas, iniciativa da Fundação Nestlé Brasil. Neste ano, a instituição reformulou e substituiu a proposta pelo Prêmio Crianças Mais Saudáveis, que prevê premiar dez projetos – direcionados a alunos do Fundamental 1 e 2 – que promovam práticas de atividades físicas e educação alimentar e nutricional em escolas públicas municipais e estaduais da Bahia e de São Paulo. Serão cinco escolhidos por estado. Os vencedores irão receber benfeitorias no valor de até 35 mil reais para a implementação de suas propostas. Durante esse processo, eles também terão formação e mentoria de especialistas. Educadores de outros estados poderão acessar, gratuitamente, um guia de projetos e cursos online.

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Alunos da EPG Manoel Rezende da Silva   Foto: Acervo pessoal

Planeje aulas práticas e teóricas
O projeto de Luciellen foi desenvolvido durante cinco meses e previa várias etapas. A primeira foi reunir as famílias e explicar o que seria feito. Assim, elas poderiam se tornar aliadas da ideia. Depois, com a colaboração da coordenadora pedagógica, a professora planejou várias aulas de alfabetização em linguagem e matemática tendo a questão da alimentação saudável como tema. Ela apresentou vídeos, fez contação de histórias e trabalhou poemas e cantigas. Em matemática, explorou quantidades, medidas, situações-problema e ensinou gráficos (com as frutas que eles mais gostavam etc.).

Para trabalhar o tema entrevista, por exemplo, Luciellen levou a turma para conhecer uma família de feirantes que moram perto da escola. Em sala, estudaram o gênero textual e prepararam as perguntas a ser feitas. Uma vez na casa de Cícera da Silva, as crianças puderam conhecer a rotina dela, do marido e dos quatro filhos. “Muitos já frequentavam a feira com os pais, mas eu queria que eles entendessem todo o processo necessário para os alimentos estarem ali nas barracas, serem comprados e chegarem na casa deles”, explica a professora. Os alunos, então, aprenderam que é preciso acordar de madrugada para buscar as frutas e legumes nas centrais de abastecimento (antes, tiveram acesso a fotos desses lugares). Descobriram, entre outras coisas, como tudo é lavado, qual a diferença entre alface crespa e lisa e que salsinha e cebolinha, muito sensíveis, devem ser deixadas no gelo para não murchar até a hora da venda.

As crianças também prepararam um dicionário de cores e sabores, em que descreviam frutas, verduras e legumes. Para elaborar o livro, a professora ensinou sobre os cinco sentidos, com destaque para o paladar. Convidados a experimentar alimentos variados, os alunos foram estimulados a falar sobre sabores e texturas. “Eles só conheciam a definição de doce e salgado. Então, precisei explicar sobre azedo, picante, amargo e agridoce, por exemplo. Falei que alguns alimentos têm mais de um sabor e ensinei o que era carnudo, fibroso, arenoso, aguado, espinhento, gostoso, ruim, nojento etc.”, conta Luciellen. Foram várias as seções de experimentação, que incluíram também a descoberta de maneiras diferentes de preparo. “Com o espinafre, por exemplo, primeiro fiz as crianças provarem puro. Depois, fizemos um bolinho para eles perceberem a diferença.” As receitas eram compartilhadas com as famílias.

No decorrer do projeto, os alunos, naturalmente, foram ampliando as escolhas que faziam nos momentos de refeição na escola. A professora recebeu ótimos retornos das famílias, que comentavam como as crianças ajudaram a mudar os hábitos em casa. Isso porque algumas incentivaram os pais a comprar mais frutas, verduras e legumes. “Uma mãe contou como o filho deu bronca no pai e explicou ser importante comer salada. Disse que ele comentou ter experimentado na escola e dito que era gostoso. Outra me falou que antes só fazia suco de laranja, mas que agora o filho pedia para ela utilizar outras frutas também”, relembra Luciellen.

Segundo a professora, além de melhorar os hábitos, as ações colaboraram para a aprendizagem dos alunos. Por isso, ela pretende retomar o projeto este ano, fazendo adaptações para contemplar a realidade da nova turma.

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Alunos da EPG Manoel Rezende da Silva aprendem a preparar alimentos   Foto: Acervo pessoal

Amplie as opções para atender a todos
Professora de Educação Física, Karina colocou, literalmente, a escola inteira para praticar exercícios. Com o apoio dos gestores e de outros colegas da mesma disciplina, ela preparou o Dia do Desafio, em que foram oferecidas opções de atividades físicas, adaptadas de acordo com o público e a faixa etária, para alunos, funcionários, docentes e famílias. Teve brincadeiras, gincanas, alongamento, dança, ioga e jogos. “Foi um dia muito gratificante, em que todos puderam trocar e socializar. Com os pais, foi uma oportunidade para levá-los à escola em um momento que não era de reunião, o que ajuda na aproximação com a comunidade”, conta Karina.

O contato com atividades diferentes serviu de estímulo para a participação em mais propostas. “A iniciativa chamou a atenção para outras ações. Teve, por exemplo, aluno se inscrevendo nas aulas de dança que ocorrem no contraturno e funcionários que resolveram entrar na prática de ioga realizada periodicamente com os professores”, afirma Karina.

Outro projeto da professora ganhou adaptações após a capacitação oferecida pela Fundação Nestlé Brasil. Em suas aulas, Karina trabalhava principalmente com futsal e um pouco de atletismo. “Foi por causa da formação do Nutrir que tive a grande sacada: vi a importância de alcançar todos os alunos. Então, passei a propor atividades variadas para que crianças e jovens conseguissem se identificar e se encaixar”, explica. Hoje, suas aulas incluem atletismo, vôlei, basquete, handebol e futebol. O objetivo é oferecer opções que envolvam categorias diferentes de movimentos e trabalhem habilidades corporais distintas e não apenas velocidade ou força. Assim, além de ampliar o repertório dos estudantes, é possível contemplar níveis de habilidades e características físicas diferentes.

O principal ganho foi na autoestima dos alunos. “É muito poderoso descobrir que seu corpo, independente de ser alto, baixo, gordo ou magro, é capaz de realizar algum exercício ou praticar determinada modalidade”, diz Karina. Agora, a professora espera ampliar cada vez mais o número de crianças e jovens livres do sedentarismo. “Estamos falando de saúde pública, afinal, temos uma população obesa crescente principalmente por causa da falta de cultura da atividade física”, completa.  

Inscreva-se!
Siga o exemplo das professoras Luciellen e Karina. Se você tem um bom projeto para estimular a educação alimentar e nutricional dos alunos e a prática de atividades físicas, inscreva-se no Prêmio Crianças Mais Saudáveis! As inscrições poderão ser feitas até dia 8 de junho. O cadastro deve ser efetuado por um docente, com anuência do diretor da escola. Os demais detalhes estão no regulamento, disponível no mesmo site. A divulgação dos vencedores está marcada para 18 de junho e a previsão é que o trabalho de implementação seja realizado entre julho e novembro deste ano.


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