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20 de Abril de 2018 Imprimir
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“Time de Autores fez com que eu fosse reconhecida na comunidade onde vivo”

De um município com 5 mil habitantes, Rosélia Sezerino Fenner diz que a experiência expandiu sua visão do mundo

Por: Camila Cecílio
A professora Rosélia Fenner, do município de Serranópolis do Iguaçu (PR), fez parte do Time de Autores que criou 1.500 planos de Matemática alinhados à Base   Foto: Acervo pessoal

Rosélia Sezerino Fenner, 48 anos, decidiu ser professora depois de ter se encantado pela rotina escolar, que conheceu na época em que levava o filho para a escola diariamente. “Eu me senti atraída pela alegria das crianças e quis fazer parte de algo tão bonito”, lembra. A história de amor com a Educação começou há 12 anos em Serranópolis do Iguaçu, município paranaense com 5 mil habitantes. Antes de se dedicar ao magistério, a professora fez curso técnico em Contabilidade e chegou a frequentar a faculdade de Administração. No entanto, a vontade de ensinar falou mais alto e ela decidiu se dedicar à Pedagogia.

PLANOS DE AULA: encontre o conteúdo que vai te ajudar em sala de aula

Sempre movida pela vontade de transformar a Educação pública, a professora se inscreveu e foi uma das selecionadas para integrar o Time de Autores NOVA ESCOLA. A equipe foi responsável pela criação de 1.500 planos de aula de Matemática alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estão disponíveis gratuitamente na nova plataforma do site de NOVA ESCOLA.

Reconhecimento
Após a experiência, Rosélia se sentiu mais valorizada como professora. Concursada do município, ela dá aulas de Matemática para turmas do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Serranópolis do Iguaçu, a mesma que fez seus olhos brilharem para o magistério. “Cheguei a receber uma menção honrosa na Câmara dos Vereadores do município por ter sido escolhida entre 13 mil candidatos, senti o reconhecimento da população local”, conta.

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Para a profissional, participar do projeto é uma referência. “Hoje as pessoas me olham de uma forma diferente”, diz. Rosélia afirma que todo o processo para se tornar autora de planos de aula fez com que crescesse não apenas como professora, mas também como ser humano, de modo a enxergar a Matemática e a própria vida de maneira diferente. “Depois de tudo que vivi, o fato de ter saído de uma cidade tão pequena, desse nosso ‘mundinho’ e ir para o mundo, fez com que hoje entre na sala de aula com empolgação, vontade de ir lá e dar o meu melhor, com o amor pela profissão totalmente renovado”.

A professora Rosélia recorda, ainda, que não sabia da dimensão do projeto Time de Autores e que só compreendeu a relevância da iniciativa durante a formação dos educadores, realizada em Minas Gerais, no ano passado. Ela conta que o desafio era tornar o projeto realidade, afinal faziam parte do primeiro grupo de autores dos novos planos oferecidos por NOVA ESCOLA. “Queríamos fazer com que o ensino da Matemática fosse mais significativo para os jovens, que têm dificuldade em aprender devido ao modo como o conteúdo é ensinado. Então trata-se de uma proposta inovadora que nos levou além, compartilhando conhecimento e pensando nos alunos e professores de todo o país”, reforça.

Metodologia
Durante o processo de trabalho, o destaque foi para a metodologia adotada pelo projeto, que é baseada no esforço produtivo. “O professor vai criar oportunidades para fazer com que o aluno pense e construa esse conhecimento por meio de sua participação e interação com a turma”, explica Rosélia. Toda a metodologia, de acordo com a professora, está detalhada nos planos de aula, de forma que, aplicada da forma recomendada, os alunos vão começar a gostar da Matemática. “Cada detalhe foi pensado, basta apenas que o professor acesse esses planos e os aplique em aula”, acrescenta.

Ela diz, também, que uma boa aula de Matemática é aquela em que o aluno se envolve. “Percebemos isso no olhar da criança e se ela se interessa pelo conteúdo e pela forma como aquele conteúdo está sendo mostrado. Esse é o sinal de que o professor está indo bem”, afirma. "O importante é garantir que o aluno sinta que pode participar e fazer parte daquele momento”.

Dias melhores
A Educação como base da identidade de todo e qualquer indivíduo está na crença do trabalho de muitos professores. Rosélia não é diferente. Por isso, ela diz que se pudesse mudar algo no país seria a maneira de pensar dos governantes. Como todos os educadores, ela deseja dias melhores ao Brasil e que saúde e segurança sejam prioridade, mas é taxativa ao afirmar que é por meio da educação que as transformações sociais são possíveis.

“Para que isso aconteça, é preciso valorizar os professores, pensar na formação do profissional e em uma educação de qualidade. Um caminho para isso é o de projetos inovadores como o Time de Autores, que com certeza cria um ambiente otimista para todos nós que abraçamos e lutamos pela educação”.

Dicas da professora Rosélia para dar boas aulas
A primeira dica na verdade é de Rubem Alves: o professor deve preparar sua aula da mesma maneira que o chefe de cozinha prepara sua comida - tem que ser prazeroso.

É preciso planejar. O planejamento de uma aula é o elemento-chave do ensino eficaz. Sem ele, os objetivos de aprendizagem perdem sentido.

Os objetivos devem ser claros, pois são eles que indicam o que o professor quer que o aluno aprenda com a aula, quais objetivos quer alcançar.

Planejar atividades voltadas às necessidades de cada aluno. Elas devem ser desafiadoras, criativas, que requerem alto grau de esforço cognitivo, que estimulem os alunos a pensarem, que sejam capazes de envolver e manter os alunos interessados e principalmente, atividades que demandam autonomia do processo cognitivo.

Uma boa aula precisa levar os alunos a perceber a relação que existe entre o conteúdo e a realidade, tornando assim algo significativo para eles.

Ao preparar uma aula é preciso se perguntar: quais dificuldades meu aluno poderá ter? Com isso pode-se desenvolve e traçar um plano, pensando na estratégia de intervenção de modo que o aluno possa superar tal dificuldade.

Sempre que possível utilizar recursos variados para exploração das aulas, como novas tecnologias, jogos, leituras, debates e muitos outros.

Elaborar atividades que motivem os alunos a usarem variados métodos e estratégias que façam sentido, que os envolvam plenamente em suas aprendizagens.

Para explorar os conteúdos, pensar em perguntas com propósitos. Elas levarão o aluno a refletir de forma que compreendam a natureza dos conceitos, processos e relações.

Por fim, o que eu vou avaliar? Quais aprendizagens meu aluno apropriou?

Rosélia Sezerino Fenner é formada em Pedagogia pela Universidade Castelo Branco e é especializada em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Uninter Curitiba.