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Como preparar a melhor aula de Inglês

Em que o professor deve pensar para preparar um plano de aula de qualidade alinhado à Base

POR:
Soraia Yoshida
O aprendizado da língua inglesa deve considerar o contexto, o uso e o mundo em que vivemos   Foto: Getty Images

Repertório, conhecimento, visão de mundo. Quando se fala em dar uma boa aula de Língua Inglesa, alinhada com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), esses três componentes e o que eles significam à luz da Base resumem a forma como o professor deve encarar seus alunos: ampliando seu repertório, ganhando conhecimento sobre os objetivos da BNCC e tendo sempre em vista uma visão de mundo maior que vai além das influências dos países normalmente associados ao aprendizado de inglês.

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"O papel do ensino da Língua Inglesa na Base é o de língua franca, ou seja, é ser aquela língua que te habilita a se comunicar, entrar em contato e ampliar sua interculturalidade", afirma Sandra Durazzo, assessora pedagógica dos planos de Inglês para NOVA ESCOLA, alinhados à Base. A partir desta premissa, o professor pode reunir esses elementos para introduzir aos alunos um mundo muito maior, mais interessante e desafiador do que o que vinha sendo proposto. E que, garante Sandra, terá como resultado final o empoderamento dos alunos.

O que diz a Base

"O objetivo norteador (...) é garantir a todos os alunos o acesso aos saberes linguísticos necessários para a participação social e o exercício da cidadania, pois é por meio da língua que o ser humano pensa, comunica-se, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo e produz conhecimento."

O ponto de partida para a criação dessa aula "matadora" que estamos propondo é o trabalho que o professor terá de fazer em sua busca por um território mais amplo. "Ainda é muito comum que os professores usem fontes dos países que mais comumente vêm à mente ao falarmos em língua inglesa, como Estados Unidos e Reino Unido", diz ela. "É importante ampliar o seu repertório dentro da própria língua, entrar em contato com produção cultural, científica, acadêmica, social do mundo inteiro que hoje acontece em inglês".

Em termos práticos, é ler livros, textos de jornais, revistas e sites; ouvir programas de rádio e audiolivros; assistir filmes, programas, séries; conferir produção acadêmica. Entra Spotify, Netflix e YouTube. E que fique bem claro, conteúdos vindos não apenas de países como EUA, Inglaterra, Irlanda, Austrália. O professor pode entrar em contato com a produção cultural, científica, acadêmica, social do mundo inteiro que hoje acontece em inglês. Pode ser um filme indiano, um conto nigeriano, um romance húngaro, romances de origem árabe, entre outros.

Ainda que essa expansão de referências cause inicialmente algum estranhamento, o professor precisa ter em mente que ao trazer essas mesmas referências para a sala de aula, ele está deixando de ser a única referência de seus alunos. Tendo maior repertório de uso da língua inglesa, os alunos terão um contato com a língua "de verdade". "Não é só a língua falada pelo professor, é a língua falada por todos os cantos e por todos os falantes, é  a língua falada em todo tipo de situação, então uma diversidade de gêneros, uma diversidade de usos, tanto oral quanto escrita", diz Sandra.

"O segredo para fazer planos de aula de qualidade é colocar os alunos em contato com a língua. E para isso, o professor precisa ter bastante contato e saber como promover esse contato aos seus alunos", afirma Sandra.

Sandra Durazzo, assessora pedagógica dos planos de aula de Inglês da Nova Escola   Foto: Mariana Pekin

Contexto é tudo
Pensando na Base, o primeiro ponto é definir quais são os objetivos daquele plano de aula. A sequência deve estar no uso, ou seja, nos eixos: oralidade, leitura, escrita. Qual a sequência do que os alunos vão aprender? Pensando em escrita, o que o aluno precisa saber? Não é decorar o uso do tempo verbal, pode ter certeza. "É planejar o texto, listar ideias que compõem esse texto, organizar as ideias em parágrafos, pensar em como conectar essas ideias", responde Sandra. "A Base propõe um olhar para o curso de inglês focado no uso e no que chamamos de práticas de linguagem".

Em lugar de pensar que a aula vai centrar no ensino de um tempo verbal, é colocar isso dentro de um contexto maior, que gere compreensão não apenas do verbo, mas das relações socioculturais. Sandra cita como exemplo a produção de um convite para uma festa escrito em inglês, descrevendo o horário da festa, traje dos convidados e se eles devem trazer algum item. Se os convidados cumprirem o combinado, então o objetivo da aula foi cumprido. Se faltou a compreensão de uma parte do que havia estabelecido, o professor pode se aprofundar naquele tema em outra aula.

Outro exemplo: no ensino do Simple Past, o professor deve imaginar em que textos ele aparece? Em narrativas, num texto biográfico, o verbo se encaixa naturalmente naquele contexto. "E você ensina o aluno a usar e não a recitar regras ou listas de palavras", diz.

O objetivo do plano de aula deve ser bastante específico - e não conter uma lista infindável, pois dessa forma o aluno não dará conta. Com isso fica mais fácil também regular como será feita a situação de ensino. Seguindo a Base, o professor perceberá que suas aulas girarão em torno de "fazer algo" com tal conteúdo. Por exemplo: fazer com que o aluno aprenda Simple Present usando um exemplo de transmissão ao vivo ou fazer com que o aluno seja capaz de usar Simple Future ao falar de como o mundo irá mudar com viagens espaciais. O professor pode se orientar pela Base para definir o objetivo que é o que está escrito naquela habilidade e daí orienta a organização das aulas para dar conta daquele objetivo.

Mas talvez o mais importante é entender o que esse aprendizado pode significar na vida do aluno. Sandra defende que isso tem um peso na autoestima daquele estudante. "Tem gente que diz: por que aprender Inglês se ele não sabe direito Matemática? Porque a camiseta dele está escrita em inglês, o nome do restaurante é em inglês, o time de futebol... Ele entender tudo isso dá um empoderamento, saber que ele entende é muito relevante para a formação dos nossos jovens. O papel da Base é oferecer uma possibilidade de colocar os nossos alunos para saber coisas e essas coisas farão muita diferença na formação, principalmente o olhar do aluno para si mesmo".



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