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Professor aposentado ganha mesmo R$ 10 mil em São Paulo?

NOVA ESCOLA foi checar a afirmação do prefeito Bruno Covas sobre o salário médio dos diretores. Veja o que mais descobrimos

POR:
Ana Rita Cunha, Bárbara Libório e Luiz Fernando Menezes, do Aos Fatos

*Atualizada em 23 de abril de 2018, às 17h

Esta reportagem faz parte da campanha Mentira na Educação, não!, parceria entre NOVA ESCOLA e Aos Fatos, que checará boatos, declarações e notícias sobre Educação. A série foi iniciada com o acompanhamento das promessas do governador Flavio Dino, do Maranhão, e incluirá os principais gestores públicos do país. Na próxima semana, acompanharemos as promessas feitas pelo governador do Rio Grande do Sul Ivo Sartori (MDB).

Nascido em Santos, no litoral paulista, Bruno Covas é formado em direito pela USP e em economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC). Neto mais velho de Mário Covas, que foi prefeito, governador e senador, ele diz que tem "orgulho em ser político". Bruno Covas entrou para a vida pública em 2004, quando concorreu ao cargo de vice-prefeito em Santos. Não conseguiu se eleger, mas aproveitou a experiência adquirida na convivência com o avô, que morreu em 2001, para trabalhar como assistente parlamentar no gabinete do PSDB na Assembleia Legislativa. Covas foi eleito deputado estadual em 2006 e ganhou força dentro do partido em 2010. Foi nomeado depois secretário estadual do Meio Ambiente, na gestão de Geraldo Alckmin.

O tucano assumiu a Prefeitura de São Paulo em 7 de abril e, em sua primeira semana no cargo, usou seu discurso de posse e o espaço em entrevistas a veículos de comunicação para falar da situação da educação na cidade. Ele repetiu dados sobre os feitos da gestão de seu antecessor, João Doria, e também mencionou a aposentadoria dos professores da rede municipal ao defender uma reforma na Previdência municipal.

Aos Fatos recorreu às bases de dados públicas do município de São Paulo e checou essas declarações. Veja o resultado da checagem a seguir.

O vice-prefeito de São Paulo, Bruno Covas   Foto: Leon Rodrigues/SECOM-SP

“Zeramos a fila por vagas na pré-escola (...)”

(Em seu discurso de posse, no dia 7 de abril)

De acordo com o portal da Prefeitura de São Paulo com dados sobre a demanda escolar, em dezembro de 2016, antes de João Doria assumir, existia uma demanda de 1.269 crianças esperando por uma vaga. Em março de 2017, o número chegou a subir para 4.352, mas desde junho a fila foi zerada (em setembro e em dezembro não houve mais demanda).

Entretanto, vale ressaltar que os dados referentes a março de 2018 ainda não foram disponibilizados pela prefeitura.

 

“(...) atingimos o menor patamar de número de crianças aguardando vagas em creches na série histórica disponível.” 
(Em seu discurso de posse, no dia 7 de abril) 

Em uma das inserções do PSDB no ano passado, o então prefeito João Doria afirmou que a prefeitura havia ampliado o número de crianças acolhidas em creches e prometeu zerar as filas. Aos Fatos checou essa afirmação: a gestão começou com a herança de 65.040 crianças esperando uma vaga, em dezembro de 2016. Em 2017, a demanda subiu em março para 87.906, em junho para 104.268, em setembro para 132.365. Foi somente em dezembro do ano passado, último mês disponível no portal da prefeitura, que a demanda caiu para 44.092.

De acordo com números disponíveis no portal Dados Abertos, da Prefeitura de São Paulo, a gestão Doria teve, de fato, o menor número de crianças esperando uma vaga. O site agrega dados trimestrais da demanda de creches desde o segundo semestre de 2006.

Antes do último trimestre de 2017, a menor demanda registrada na série histórica disponível foi entre os meses de outubro e dezembro de 2008, quando 57.607 crianças estavam na fila.

  

“[Na Prefeitura,] Um professor se aposenta recebendo em média R$ 10 mil.” 

(Em entrevista à rádio CBN, em 10 de abril)

Ao defender a reforma da Previdência no âmbito municipal, o prefeito citou números sobre a aposentadoria de professores, afirmando que eles se aposentam na prefeitura recebendo, em média, R$ 10 mil. 

Aos Fatos checou os dados disponíveis no Portal de Transparência da Prefeitura de São Paulo e constatou que a média da remuneração de um professor aposentado na rede municipal é de R$ 10.318,09. Os dados são do início de abril e mostram que quase a metade deles, 48,3%, ganham entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Os números mostram ainda que 37,8% dos professores se aposentaram com um salário entre R$ 5 mil e R$ 10 mil e 2,2% chegam a ganhar mais de R$ 20 mil. E 11,7% dos professores se aposentaram com remuneração abaixo de R$ 5 mil.

“[Na Prefeitura,] Um diretor de escolar se aposenta recebendo em média R$ 16 mil.”  
(Em entrevista à rádio CBN, em 10 de abril) 

No caso dos diretores de escola, a média da remuneração dos profissionais aposentados é ainda maior, segundo as bases do Portal da Transparência do município. Aos Fatos verificou que a média da remuneração dos diretores de escola aposentados na Prefeitura de São Paulo é de R$ 17.416,54.

Os dados, que também são do início de abril, mostram que 4,2% dos diretores ganha até R$ 10 mil e 37,3% recebem entre R$ 10 mil e R$ 17 mil. A maioria, 57,2%, se aposentaram com um salário entre R$ 17 mil e R$30 mil. E ainda 1,3% chega a ganhar mais de R$ 30 mil.

 

* Esta reportagem foi atualizada em 23 de abril de 2018 para corrigir um erro metodológico de uma única apuração da reportagem. De acordo com a Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo, não convém fazer uma média anual dos valores, uma vez que os dados sobre a demanda das creches são cumulativos e sujeitos a questões sazonais, e isso pode distorcer o resultado da média. Sendo assim, o gráfico, que estava incorreto, foi retirado e a declaração foi reclassificada de IMPRECISA para VERDADEIRA.

Essa reportagem faz parte da campanha Mentira na Educação, não!, que realizará checagens de notícias sobre Educação. A iniciativa é realizada por NOVA ESCOLA, com apoio do INSTITUTO UNIBANCO, INSTITUTO ALANACANAL FUTURA e FACEBOOK.

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