Rossieli Soares é o novo ministro da Educação

O atual secretário de Educação Básica vai substituir Mendonça Filho à frente do MEC

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NOVA ESCOLA
Rossieli Soares vai substituir Mendonça Filho à frente do Ministério da Educação (MEC)   Foto: Bruno Santos/Folhapress

Rossieli Soares da Silva é o novo ministro da Educação. Ele foi escolhido pelo presidente Michel Temer para substituir Mendonça Filho à frente do MEC, após muitas discussões sobre um possível nome ligado ao DEM para assumir a pasta. A assessoria do Ministério da Educação (MEC) confirmou a informação na manhã desta quinta-feira (05/04). Mendonça Filho fica no cargo até sexta-feira (6), cumprindo o prazo de desincompatilização de seis meses antes do pleito. A posse do novo ministro está prevista para a próxima segunda-feira (9).

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Rossieli é advogado, tem 39 anos, e possui mestrado em Gestão e Avaliação Educacional pela Universidade Federal de Juiz de Fora, concluído no ano passado. Desde 2016 no MEC, Rossieli é o atual secretário da Educação Básica (SEB) e integra o Conselho Nacional da Educação (CNE), tendo participado das discussões sobre a aprovação e implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), bem como a Base do Ensino Médio

“A Base é um apontamento para o futuro do Brasil”, afirmou em entrevista à TV MEC. “Ela vai nos dizer qual o tipo de educação que nós queremos e o que cada cidadão brasileiro deve saber nos próximos 10 ou 20 anos.”

Quando Mendonça Filho anunciou sua intenção de deixar o ministério para concorrer às eleições deste ano, o nome mais forte para ocupar o cargo era o da secretária-executiva do MEC, Maria Helena de Castro. Nesta quarta-feira (04/04), porém, o Diário Oficial trouxe sua indicação para a Câmara de Educação Básica (CEB), o que seria um indício de que não ocuparia o ministério. Maria Helena é filiada ao PSDB, partido que deixou a base aliada e anunciou candidato próprio para a corrida presidencial. 

Políticas públicas

Advogado, Rossieli Soares trabalhou como assessor jurídico na Comissão Geral de Licitação do Estado do Amazonas por quatro meses até ingressar na Secretaria de Educação (Seduc), em julho de 2008. Por lá, trabalhou como diretor de Planejamento, diretor de Infraestrutura e Assessoria Estratégica e como Secretário Executivo Adjunto de Gestão, antes de assumir a chefia da Scretaria de Educação Básica

Ao assumir a SEB, Rossieli defendeu maior qualidade na educação básica. “Garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas plenamente até aos 8 anos de idade não é saber ler uma palavra”, disse à TV MEC. “Ela precisa saber ler as palavras, escrever frases, interpretar textos; não adianta termos analfabetos funcionais, que não conseguem interpretar o que leem.”

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Como secretário ele destacou que sua gestão daria prioridade à formação inicial e continuada dos professores para o sucesso do processo educacional. “Não dá para o professor ensinar da mesma forma que se ensinava nas décadas de 90, 80 ou 50; temos de aproveitar aquilo que ainda permanece vivo, mas agregar”, afirmou. “Como pensar em educação sem falar de redes sociais, sem falar de toda a tecnologia que está posta no mundo?"

Durante seu período no governo do Amazonas, Rossieli implantou projetos como o Sistema de Avaliação do Desempenho Educacional do Amazonas, o Programa de Aceleração do Desenvolvimento da Educação do Amazonas (Padeam) e o Professor na Era Digital, que distribuir 44 mil notebooks para professores. Ele também criou do Plano de Cargos e Carreiras da Seduc e implantou a data-base dos professores da rede pública estadual de ensino do Amazonas.

Durante sua gestão, o estado do Amazonas conseguiu avançar e superar as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos três anos avaliados.

Em dezembro de 2017, o então Secretário de Educação Básica foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) a devolver R$ 2,2 milhões aos cofres públicos, por obras em escolas pagas e não executadas enquanto esteve à frente do Fundo Estadual de Incentivo ao Cumprimento de Metas da Educação Básica, em 2014.

Repercussão

O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Eduardo Deschamps, acredita que a nomeação sinaliza que os importantes projetos da Educação – implementação da Base no Ensino Fundamental e aprovação no Ensino Médio – vão continuar em andamento. “Creio que ele vai imprimir seu estilo, mas não vejo qualquer modificação, na crença que os projetos estão caminhando de acordo com o cronograma, o que é muito positivo”.

Deschamps conviveu com Rossieli no Consed e elogia sua capacidade de gestão. “Ele desenvolveu vários projetos importantes e houve avanços nos níveis de Educação do Amazonas durante sua gestão”, afirma. Sobre as críticas de que sua nomeação é política e não técnica, ele lembra que o próprio cargo exige articulação. “Não vejo qualquer demérito no fato do Rossieli não ter uma carreira na Educação”, diz. “O papel de um ministro tem duas frentes: uma que é política e requer habilidade de diálogo e capacidade de negociação, e outra frente que requer capacidade de gestão desenvolvendo projetos educacionais”.

Para Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a indicação de Rossieli Soares é política. “Ele tem uma grande proximidade com o Palácio do Planalto, com vários setores do MDB e do DEM”, afirma. Daniel diz que embora tenha uma trajetória no Consed, Rossieli não tem formação na área de Educação. “As decisões mais importantes da secretaria passavam pela Maria Helena, que acabou preterida por uma saída conjuntural do PSDB da base do governo. Rossieli não foi uma pessoa central na Base, a Maria Helena sim. Mas o Rossieli tem uma vantagem: o governo Temer confia nele e ele sabe conversar”.

 

Leia entrevista do secretário Rossieli Soares a Nova Escola ao assumir o SEB.

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