Para melhorar educação, os professores precisam ganhar mais

A maioria dos brasileiros acha que o ensino público piorou, mas reconhece que a educação abre portas para emprego e para a vida

POR:
Soraia Yoshida
Alunos do Fundamental em escola pública de Manaus    Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Os professores precisam ser melhor pagos. Uma boa educação ajuda a garantir um bom emprego. A baixa qualidade da educação prejudica o país. Estas são algumas das conclusões apontadas pelo estudo Retratos da Sociedade Brasileira - Educação Básica, que dá voz à população no que se refere à Educação. Encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com Todos pela Educação, a pesquisa mostra como os brasileiros avaliam a Educação. O resultado, de modo geral, é pouco positivo.

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A maioria dos brasileiros (89%) reconhece que a educação é importante para o desenvolvimento do país. Entretanto, a percepção é de que houve uma piora na qualidade do ensino básico, principalmente no que se refere à escola pública. Nos levantamentos realizados em 2010 e 2013, 26% afirmaram que os alunos estavam pouco preparados; esse índice saltou para 32% nesta pesquisa.

Os brasileiros acreditam que os alunos que concluem o ensino fundamental nas escolas públicas não estão preparados para enfrentar a etapa seguinte. E, no caso do ensino médio, não estão prontos para encarar o mercado de trabalho.

Para melhorar o ensino nas escolas públicas, 28% afirmam que é preciso equipar as instituições, enquanto 25% acreditam que é preciso estimular a participação dos pais na cobrança por uma boa escola. Ampliar a segurança aparece logo depois (24%), seguida por melhorar o sistema de ensino (23%).

O ponto de contingência para fazer com que isso aconteça é a questão de recursos. Oito em cada dez brasileiros concordam que o problema da baixa qualidade da educação se deve mais à má utilização dos recursos públicos, do que a falta deles. Mas como os recursos são limitados, quando se trata de escolher como fazer esse contingenciamento, se a saída seria aumentar os impostos, 56% são totalmente contra, sendo apenas 22% favoráveis. Questionados sobre a possibilidade de retirar dinheiro de outras áreas (saúde públicas, energia, saneamento etc), 50% se mostraram contra, apenas 18% a favor.

“Há uma percepção da população brasileira de que o estado é ineficiente, mas ela não consegue enxergar a necessidade de que é preciso ter mais recursos para promover avanços na qualidade da educação pública”, afirma Gabriel Corrêa, gerente de Políticas Educacionais do Todos pela Educação. Segundo ele, especialmente em momentos de crise econômica, como a que ainda estamos vivendo, a percepção de que é preciso mais gestão e não mais recursos tende a ganhar força. “Nós consideramos muito importante que isso não seja uma dicotomia, não pode ser apenas uma questão de melhorar a gestão ou então investir mais recursos, as duas frentes devem estar associadas”.

Melhor educação, mais empregos

Um ponto positivo revelado pela pesquisa é que os brasileiros entendem que a educação é um investimento importante com impactos positivos para a renda (73%) e oportunidades de emprego (71%). E a busca por uma educação de qualidade é uma responsabilidade de todos: pelo menos sete em cada dez brasileiros consideram que os profissionais de educação (diretor e professores), os pais dos alunos, o Estado e os próprios alunos devem cada um fazer sua parte.

A maior responsabilidade ainda recai sobre diretores e professores, com pequenas variações no que se refere a Ensino Fundamental e Ensino Médio. Para o Fundamental, os brasileiros acham que o diretor da escola tem 81% de responsabilidade para que alunos possam ter uma educação de qualidade, enquanto para o Médio, esse índice é de 84%. Em relação aos professores, a pesquisa apontou responsabilidade de 78% e 83%, respectivamente. Embora o maior número de escolas pertença à rede municipal, os prefeitos aparecem com menor responsabilidade na opinião dos brasileiros – 73% para o Ensino Fundamental e 76% para o Médio. Os governadores ficam pouco atrás, assim como o presidente da República.

Essa percepção de responsabilidade maior pela qualidade da educação recair sobre diretores tem uma lógica, segundo Gabriel Corrêa, do Todos pela Educação. “Se considerarmos que 74% dos municípios escolhem os diretores das escolas por critério político, isso aponta que a população sabe que esse diretor foi posto lá e por isso cobra dele competências básicas”. Esse ponto aparece em outro momento do levantamento, em que nove em dez brasileiros reconhecem a importância da preparação do gestor escolar.

Entre as principais ações para melhorar o nível da escola pública, os brasileiros apontaram melhores salários para os professores entre as principais medidas. Do total, 43% concordam totalmente com essa proposta e outros 25% concordam em parte. Apenas 14% discordaram da afirmação. “A pesquisa mostra que qualquer avanço na educação precisa passar pela valorização da carreira do professor, mas é importante notar que só aumento de salário não basta, tem que vir agregado a melhores condições de trabalho, formação e mais apoio pedagógico”, afirma Gabriel Corrêa.

Principais problemas da escola

Para a maior parte dos brasileiros, a baixa qualidade da educação está associada a dois grandes problemas enfrentados pelo país, a violência e corrupção. A maior parte da população (77%) concorda totalmente ou em parte com a afirmação de que o problema da violência no Brasil se relaciona de forma direta com a baixa qualidade da educação no país. Já seis em cada dez acreditam que isso é verdade também para a corrupção no país.

Veja no gráfico a seguir a avaliação das condições das escolas públicas, conforme a pesquisa:

A pesquisa foi realizada pelo Ibope entre os dias 15 e 20 de setembro do ano passado, com duas mil pessoasA margem de erro da pesquisa é de dois percentuais para cima ou para baixo.

 

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