Cenários naturais para boas aulas de Ciências

O Pantanal Matogrossense e a Chapada dos Guimarães fornecem farto material para estudo do meio

POR:
Paola Gentile
Pantanal e a diversidade da fauna e da flora: ponto de partida para comparação com outras formações vegetais. Foto: Marcelo Greco
Pantanal e a diversidade da fauna e da flora: ponto 
de partida para comparação com outras formações 
vegetais. Foto: Marcelo Greco

No coração do Centro-Oeste, duas paisagens completamente diferentes marcam a geografia: os espaços alagados da bacia do Rio Paraguai formam o Pantanal e as terras aparentemente secas do cerrado são ladeadas pelos paredões da Chapada dos Guimarães. Guardiães das riquezas da fauna e da flora locais, os dois ecossistemas são grandes parceiros das aulas de Ciências de diversas escolas da região.

Para muitos alunos matogrossenses, observar essa natureza é sinônimo de conhecer o meio em que vivem e descobrir formas de preservá-lo. Uma belíssima lição, que merece ser reproduzida em qualquer lugar do Brasil e do mundo. Basta seguir o exemplo de Aurênio Marcionei Leão Neto, professor de Ciências e Matemática da Escola Estadual Juscelino Kubitschek de Oliveira, em Poconé, a uma hora de Cuiabá. Ali, ele formou o grupo Defensores do Pantanal, que reúne 25 estudantes de várias turmas de 5ª série.

Chapada dos Guimarães: no meio do cerrado, excelente lugar para observar a formação do solo e as estrelas. Foto: Marcelo Greco

Chapada dos Guimarães: no meio do cerrado, 
excelente lugar para observar a formação do
solo e as estrelas. Foto: Marcelo Greco

A proposta dos voluntários é conhecer em detalhes as aves da região. Em 2001, a turma decidiu estudar a garça-branca. "Queremos formar uma equipe semelhante todos os anos", afirma Leão Neto. Nas visitas periódicas aos locais onde os pássaros fazem seus ninhos, os Defensores conhecem o ciclo de vida e fazem um levantamento quantitativo dos animais, observando em que proporção se reproduzem.

Como o foco do projeto é a preservação das aves, o aprendizado se dá em várias disciplinas. Na viagem, a garotada vê, ao vivo, conteúdos tratados anteriormente em sala de aula, como a vegetação pantaneira. O estudo é transformado em relatórios e ilustrações que, depois de examinados pelos professores de História, Geografia e Língua Portuguesa, se transformam em cartazes colocados nos murais da escola.

Luneta e microscópio

A interdisciplinaridade é ainda mais presente na Escola Livre Porto Cuiabá, na capital matogrossense. Adepta da pedagogia Waldorf, ela estabelece que a mesma professora acompanha a classe, da alfabetização até a 7ª série. O ensino de Ciências é levado muito a sério desde os primeiros anos tanto que, na 5ª série, são introduzidas noções de mineralogia e astronomia. A proposta é mostrar aos estudantes que somos pessoas que interagem com o micro e o macrocosmo. "Dessa forma, ensino a eles as leis naturais, da terra e do espaço", afirma Evane Louzich.

O estudo da crosta terrestre e de tudo o que está por baixo dela foi o início do trabalho. Os estudantes lançaram mão de diversos procedimentos, como pesquisas individuais e em grupo; visitas à faculdade de Geologia (onde puderam observar vários tipos de solo no microscópio); modelagem de maquetes; montagem de uma exposição sobre rochas e criação de poemas e textos.

Já o estudo da astronomia se dá com base em livros e pesquisas na internet sobre como o homem olha o céu desde a antigüidade e como os fenômenos naturais influenciam (e influenciaram) a vida na Terra. Recordando elementos de mitologia que deu nome a diversos grupamentos de estrelas, por exemplo , os alunos partem para o estudo dos astros. No final, viajam à Chapada dos Guimarães, para observar o céu e aprender com prazer.

Quer saber mais?

Escola Estadual Juscelino Kubitschek de Oliveira, R. 2, quadra 3, s/nº, CEP 78175-000, Poconé, MT, tel. (65) 345-2206

Escola Livre Porto Cuiabá, R. Tenente Lira, 320, CEP 78015-650, Cuiabá, MT, tel. (65) 623-6667

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