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01 de Junho de 2009 Imprimir
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Leitores eletrônicos são mais "verdes" do que livros de papel?

Meio ambiente

Por: Paula Sato
Leitor de e-books Amazon Kindle 2. Foto: Divulgação
Leitor de e-books Amazon Kindle 2. Foto: Divulgação.

Em 2009, nada de celulares tecnológicos, GPS ou laptops. O gadget mais falado do ano foi o leitor eletrônico de livros, também chamado de e-book reader. A novidade ainda não chegou ao Brasil, mas nos Estados Unidos virou febre. O princípio desse aparelho é simples. Em uma tela do tamanho de um livro de bolso, o usuário pode fazer o download e ler qualquer um dos mais de 125.000 títulos disponíveis para a compra virtual. Muito mais leve, fácil de carregar e ainda com memória capaz de armazenar 200 obras, parece uma ótima opção. Mas um dos maiores apelos do gadget é abolir o uso de papel e a consequente derrubada de árvores. Porém, não demorou muito para que surgisse a polêmica: será que é mesmo melhor para o meio ambiente usar leitores eletrônicos em vez de gastar papel?

Para entender a questão, é preciso pensar sobre o que acontece durante a produção de um livro. Para conseguir papel, a indústria retira celulose da madeira e, durante o processo de produção, gasta muita água e energia elétrica, além de serem usados substâncias químicas poluidoras. "A fabricação de papel tem um impacto muito grande ao meio ambiente. Muitas empresas usam madeira não certificada ou têm plantações em área que não é adequada", explica Wilson Shoji, coordenador do curso de Gestão Ambiental da Universidade Anhembi-Morumbi. Porém, o professor lembra que, ao mesmo tempo, para se fabricar um aparelho eletrônico também há impacto para a natureza e, pior, a utilização desses equipamentos ainda demanda grandes gastos de energia elétrica. "No fim da vida, os computadores viram lixo eletrônico, com algumas partes que não são recicladas, e vão degradar o ambiente", afirma Wilson Shoji.

Ainda não existem estudos que comparem os níveis de emissão de carbono envolvidos em toda a produção e utilização de livros tradicionais e leitores eletrônicos. Porém, outra discussão que se levanta é sobre a durabilidade de cada produto. Um computador tem vida útil de cerca de cinco anos e, segundo uma pesquisa do Instituto Nacional para Padrões e Tecnologia (Nist) dos Estados Unidos, um CD ou DVD, mesmo sob as condições ideais de conservação, não dura mais que algumas décadas. "Existem livros de papel que datam de cinco mil anos atrás. Um aparelho eletrônico nunca resistiria tanto e logo viraria lixo. E mesmo que o livro não seja mais utilizado, o papel ainda pode ser completamente reciclado. Ou seja, a longo prazo, pode haver menos lixo", diz Wilson Shoji. Apesar de não poder oferecer uma conclusão final sobre qual dos meios é melhor para o meio ambiente, o professor diz que o importante é que a questão venha à tona. "É preciso discutir tudo isso para que as pessoas imbuídas das questões de sustentabilidade possam buscar respostas e soluções", diz.

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