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Jornalismo

Como mostrar aos alunos que todos somos responsáveis pela água do planeta

Mais de 1,8 bilhão de pessoas são afetadas pela desertificação, uma das consequências da escassez de água

PorNOVA ESCOLA

19/03/2018

Mais de 1,8 bilhão de pessoas são afetadas pela desertificação, uma das consequências da escassez de água   Foto: Wikimedia Commons/Wikipedia

Eu, você, todo mundo tem um papel importante na conservação dos recursos hídricos de todo o planeta. É assim que pode começar a conversa com os alunos em sala de aula para falar da importância de poupar água e seu impacto na vida das pessoas. Primeiro, os fatos: cerca de 30% da população mundial vive em áreas e regiões afetadas rotineiramente por inundações e secas. A degradação dos ecossistemas é a principal causa dos crescentes riscos e eventos extremos relacionados à água e, além disso, ela reduz a capacidade de aproveitar plenamente o potencial das soluções baseadas na natureza.

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Um relatório apresentado pela Unesco aponta que as soluções para isso estão na própria natureza (Soluções baseadas na Natureza ou SbN), mas que o homem deve ter um papel primordial em melhorar o abastecimento nas cidades e na redução do impacto dos desastres naturais.

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O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, apresentado no 8º Fórum Mundial da Água, traz sugestões de como ampliar a qualidade, quantidade e o acesso a água a partir do aumento na extensão da cobertura vegetal – para pastagens, zonas úmidas e florestas – a recomposição de solos, jardins suspensos e, principalmente, a proteção das bacias hidrográficas. 

Um grande desafio é a qualidade da água. Desde a década de 1990, a poluição hídrica piorou em quase todos os rios da América Latina, da África e da Ásia. O documento prevê que a deterioração da qualidade da água se ampliará ainda mais durante as próximas décadas, o que aumentará as ameaças à saúde humana, ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. O relatório prevê que o aumento de exposição a substâncias poluentes será maior em países de renda baixa e média-baixa, principalmente devido ao crescimento populacional e econômico e à ausência de sistemas de gestão das águas residuais.

O relatório aponta ainda que a demanda mundial por água tem aumentado a uma taxa de aproximadamente 1% ao ano, puxada pelo crescimento populacional, desenvolvimento econômico e mudanças nos padrões de consumo, entre outros fatores, e continuará a aumentar de forma significativa durante as próximas duas décadas. Enquanto isso, os recursos hídricos disponíveis são afetados durantamente por fatores como a mudança climática. Atualmente, estima-se que 3,6 bilhões de pessoas (quase metade da população mundial) vivem em áreas que apresentam potencial escassez de água de, pelo menos, um mês por ano. A expectativa, segundo o estudo, é de que essa população poderá aumentar para algo entre 4,8 bilhões e 5,7 bilhões até 2050.

De acordo com a análise dos especialistas da Unesco, a degradação dos ecossistemas é uma das principais causas que afetam a gestão da água. Desde 1900, entre 64% e 71% das zonas úmidas de todo o mundo foram perdidas devido às atividades humanas. Todas essas mudanças têm gerado impactos negativos na hidrologia, desde a escala local até a escala regional e mundial.

A publicação também estima que o número de pessoas que se encontram em situação de risco de inundações aumentará do atual 1,2 bilhão, para cerca de 1,6 bilhão, em 2050 – o correspondente a aproximadamente 20% da população mundial. A população atualmente afetada pela degradação e/ou pela desertificação e pelas secas é estimada em 1,8 bilhão de pessoas, o que torna essa categoria de “desastres naturais” a mais significativa, com base na mortalidade e no impacto socioeconômico relativo ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita.

A tecnologia, que muitos apontavam até pouco tempo como capaz de reverter a escassez de água no planeta, não é tão efetiva. O documento mostra que apesar da disseminação das tecnologias que envolvem a conservação ou a reabilitação de ecossistemas naturais, esses processos correspondem a menos de 1% do investimento total em infraestrutura para a gestão dos recursos hídricos.

Como alternativa, o relatório indica a parceria entre a tecnologia tradicional com o uso de infraestrutura verde, voltada para os recursos hídricos, que usa sistemas naturais ou seminaturais para oferecer opções de gestão da água, com benefícios equivalentes ou similares à tradicional infraestrutura hídrica cinza (construída/física)

Boas práticas

Como exemplo de "práticas recomendáveis", o relatório cita o exemplo do estado do Rajastão, na Índia. Em 1986, a região passou por uma das piores secas de sua história. Graças ao trabalho de uma ONG, que trabalhou junto às comunidades locais para estabelecer estruturas de coleta de água e regenerar solos e florestas na região, houve um aumento de 30% na cobertura florestal. Os níveis das águas subterrâneas subiram em alguns metros e registrou-se um aumento na produtividade das terras de cultivo.

Outro caso citado nod ocumento é o projeto Cidade Esponja, na China. O objetivo do programa é melhorar a disponibilidade de água em aglomerados urbanos e a previsão é que, até 2020, serão construídas 16 cidades-esponjas pelo país.

"O objetivo é reciclar 70% da água da chuva por meio de uma maior permeação do solo, por retenção e armazenamento, e pela purificação da água e restauração de zonas úmidas adjacentes", explica o documento.

Na sala de aula

A partir dos dados acima e outros contidos no plano de aula Oferta de Água, você pode ensinar às turmas do Fundamental I que é importante não desperdiçar água. Vale lembrar que apenas 2,5% de toda a água existente na Terra é doce e somente um terço disso está pronto para o consumo.


- Compreender as noções de uso da água, uso com intervenção e sem intervenção e uso sustentável dos recursos hídricos.
- Analisar os diferentes usos da água e suas repercussões na distribuição e disponibilidade do recurso.
- Reconhecer e analisar práticas e situações que comprometem a disponibilidade de água no Brasil e no mundo e examinar propostas para seu uso sustentável.

Desenvolvimento 
1ª etapa 

Introdução 

Ao lado da biodiversidade e do aquecimento global, a disponibilidade de água está se tornando uma das principais questões socioambientais do mundo atual. Inúmeras regiões do planeta já estão marcadas pela escassez e pelo estresse hídrico - desequilíbrio entre demanda e oferta de água, causado, entre outros fatores, pela contaminação dos recursos. Esse quadro vem gerando disputas e conflitos. Além de usar o tema da água sob o ângulo da sustentabilidade, já que sem ela não é possível ter vida na Terra, podem ser feitas várias perguntas.

De onde vem a água? Como ela chega até as nossas casas, pronta para o consumo? Como a utilizamos? Como podemos economizá-la, evitando o risco de o recurso faltar no futuro? Essas questões podem ser o ponto de partida para planos de estudo, projetos ou sequências didáticas sobre a questão da água.

Pode-se propor, de início, que os alunos elaborem, em pequenos grupos, listas com o uso da água em suas atividades diárias: para beber, tomar banho, escovar os dentes e lavar as mãos e o rosto, cozinhar, lavar objetos etc. Conversando entre si, podem descobrir também outros usos não diretamente ligados ao seu próprio cotidiano, como o agrícola e o industrial. Peça que todos mostrem os trabalhos à turma e discuta os resultados, destacando a presença e a importância da água em praticamente tudo o que fazemos. Aproveite e assinale, também, que ela é essencial ao organismo humano porque ajuda a regular a temperatura do corpo e a diluir ou transportar substâncias.

2ª etapa 

As turmas podem iniciar esta aula assistindo ao vídeo O Saber das Águas ou o especial da TV Cultura. Como abordam também aspectos do ciclo da água na natureza e sua presença na superfície terrestre (rios, lagos e mares) e na atmosfera, pode-se aproveitar para conversar sobre isso com os estudantes. Estimule-os a falar sobre aspectos climáticos que já tenham observado, como os períodos de chuvas, que denotam padrões sobre a presença da água. Assinale que a Terra é o único planeta do Sistema Solar que tem a água nos três estados (sólido, líquido e gasoso). Ao final da aula, eles podem fazer representações em desenhos, textos ou colagem de figuras sobre os caminhos da água, sem a preocupação com a precisão sobre termos e processos neste momento.

3ª etapa 

Dedique as duas últimas aulas à preparação e à exposição dos resultados finais. Com base no que já foi visto, proponha aos estudantes o debate sobre formas de economizar e utilizar adequadamente a água, com base . Esclareça que, para chegar às residências e aos estabelecimentos comerciais e industriais, a água é captada em rios, lagos ou reservatórios, vai para uma estação de tratamento, onde passa por processos de filtragem e purificação, sendo distribuída pela rede aos domicílios e estabelecimentos, pronta para o consumo. Recomenda-se filtrar ou ferver a água antes de bebê-la.

Organizado em pequenos grupos, o pessoal pode elaborar folhetos com dicas para economizar água. Nas residências, é preciso atenção especial com o uso da água no banheiro (não tomar banhos demorados, fechar a torneira ao escovar os dentes ou fazer a barba, consertar vazamentos etc.), na cozinha (manter torneiras fechadas ao ensaboar a louça), evitar o uso de mangueiras em jardins e na lavagem de carros ¬- o gasto de água é muito maior do que com o uso de balde. O controle do consumo residencial pode ser acompanhado pela leitura da conta mensal. Os mesmos procedimentos valem para os ambientes de trabalho. Chame a atenção dos estudantes para as responsabilidades do poder público, encarregado de consertar ou instalar redes de abastecimento e coleta de água e tratamento de esgotos, fazer reparos em vazamentos ou realizar a limpeza de espaços públicos. Os alunos podem desenhar ou colar figuras e desenhos para ilustrar o folheto, que pode ser distribuído a outras turmas da escola e à comunidade.

Avaliação 

Leve em conta os objetivos definidos inicialmente. Como a sequência didática é um conjunto articulado de aulas e atividades, registre a participação dos estudantes nas diferentes etapas e nos trabalhos individuais e coletivos. Examine a produção de textos, painéis, desenhos e outros trabalhos realizados por eles. Se necessário, promova debates ou atividades individuais para examinar o que os estudantes aprenderam neste percurso.

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