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Sala de Aula | Matemática | Sala de aula


Por: Wellington Soares, Rafael Castro e Paula Peres

Um problema com muitas soluções

Veja, em uma história em quadrinhos, uma maneira nova de apresentar as questões à turma e fazer com que os alunos se engajem nas aulas

Como a maior parte dos professores, Nilza Alcântara Silva, da rede municipal de Jacareí (SP), já estava acostumada a apresentar problemas para a sua turma. "Eu dava um problema, mas mandava os alunos fazerem de um jeito só", lembra a professora. "Tudo mudou quando eu disse que eles podiam errar e resolver o problema da maneira que achassem melhor", conta.

Essa mudança surgiu a partir do segundo semestre deste ano. Ela fez parte de um grupo de 70 professores que testaram os novos planos de aula desenvolvidos por NOVA ESCOLA (disponíveis a partir de janeiro em novaescola.org.br/planos-de-aula). As propostas a ajudaram a repensar dois pontos de sua prática: a seleção dos problemas e sua postura durante a correção deles.

"Defende-se desde quase sempre a ideia de trabalhar a resolução de problemas. É o próprio jeito de fazer Matemática", explica Priscila Monteiro, coordenadora do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep). Selecionar bem a questão é um primeiro passo. "O aluno deve ter em mãos uma atividade desafiadora e acessível. Ou seja, ele pode começar a fazer, mas tem uma grande possibilidade de crescimento ao longo da atividade", explica Kátia Smole, diretora do grupo Mathema e consultora pedagógica dos planos de aula.

Na hora da resolução, temos a melhor das intenções ao dar dicas. Uma pequena correção aqui, uma sugestão de caminho ali costumam ajudar os alunos a chegar à resposta. Priscila explica que é comum ter essa ansiedade de indicar saídas, mas ela deve ser controlada. Isso pode ajudar a turma a encontrar a solução ou usar a estratégia que você deseja. Mas, infelizmente, nem sempre é benéfico. "Se o aluno depende muito das orientações do professor, ele não toma o problema para si, pede a validação do que está fazendo o tempo todo", argumenta a especialista.

A ideia é permitir que os estudantes mobilizem os conhecimentos prévios deles e encontrem maneiras próprias de chegar à resposta. A dificuldade deve ser vista como aliada. É ela que vai fazer com que cada um evolua.

Faça perguntas, não dê respostas

Ao andar pela sala e acompanhar as resoluções, pense em como intervir no trabalho da turma. Na história em quadrinhos das próximas páginas, você verá que propor uma solução, indicar que alguém está no caminho errado ou dar dicas podem tornar a tarefa fácil demais ou desmotivar a turma. O ideal é pedir que o estudante explique como está pensando. "O professor não diz como fazer, faz perguntas que instigam", explica Kátia.

O impacto no rendimento dos alunos é visível, segundo a professora Nilza. "Quem apenas seguia a técnica precisou se esforçar mais quando eu não apontava o caminho", diz ela. Já os que tinham dificuldades no modelo anterior, se desenvolveram quando tiveram a possibilidade de testar suas próprias maneiras de resolver.

E quando um aluno erra? Nada de pedir para ele refazer, repensar ou ler o problema novamente. "O aluno pode explicar seu raciocínio e argumentar por que ele acredita naquele resultado. Isso é o mais importante na aula", diz Priscila.

Depois de desenvolver suas estratégias, individualmente ou em pequenos grupos, a turma toda pode se reunir para compartilhas as resoluções. Neste momento, o professor deve ter em mente o que viu enquanto circulava pela sala, pensar nas dificuldades enfrentadas e incentivar os alunos - tanto os que erraram quanto os que acertaram - a compartilhar seus pensamentos. "Devemos debater todos os jeitos de pensar, identificar suas semelhanças e diferenças, discutir qual seria o mais confiável ou econômico em termos de tempo", indica Priscila. Ela ainda explica que essa maneira de organizar a aula é semelhante ao trabalho do matemático. "Depois de pensar sozinho, ele leva suas conclusões a outros matemáticos, valida suas hipóteses ou as descarta."

 

Ilustração: ALUÍSIO C. SANTOS