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Por: NOVA ESCOLA

Sair de férias é abrir espaço para boas ideias

Seríamos mais felizes se os momentos de trabalho, lazer e estudo estivessem mais ligados.

FELIPE BANDONI,

FELIPE BANDONI,
Doutor em Biologia pela USP e professor na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.

Lá se foram nove meses com a cabeça mergulhada na rotina escolar: aulas, provas, trabalhos e questões com os alunos ocupam tanto nossos pensamentos que às vezes é difícil desligar delas durante o período de descanso. Mas é importantíssimo deixar de lado um pouco os afazeres da vida profissional. Os momentos de pausa na lida direta com os alunos colaboram para aumentar a nossa criatividade e acabam levando a gente, até de forma inesperada, a pensar em aulas mais interessantes para o ano seguinte.

Não importa a sua escolha ou possibilidade de lazer, as ideias sempre chegam com mais facilidade quando a mente está tranquila e o corpo relaxado. Viajar, claro, abre a cabeça. Mesmo que você vá ali para pertinho, sair de casa leva a estranhamentos e a pensar que existem outras possibilidades, antes invisíveis na nossa rotina. A ligação dessas reflexões com o trabalho pode não ser imediata, mas esse outro jeito de olhar nos torna mais receptivos a propor e aceitar inovações.

A abertura para o novo pode aparecer também em situações corriqueiras, basta ficar atento. Uma colega me contou que aproveita para observar seus filhos e sobrinhos por mais tempo. Além de ser prazeroso,
esse contato a ajuda a entender como funciona a cabeça de crianças e adolescentes, que manifestam os seus diferentes ritmos e interesses nas horas de lazer. Ela me explicou que a convivência a fez perceber, por exemplo, que eles aprendem muito uns com os outros e resolveu propor atividades em sala em que o adulto - no caso a professora - interferisse menos.

O recesso também é um ótimo momento para ver aquela exposição, filme ou peça de teatro e ler um bom livro. Não é incomum sair do cinema ou do museu com ideias de como usar o que viu no planejamento de aula. Antes de chacoalhar a cabeça em desaprovação por lembrar do trabalho, sugiro anotar brevemente essas inspirações para, se for o caso, ter a chance de desenvolvê-las depois. Conheci um professor que voltava no início do semestre com um saquinho cheio de papeizinhos - o "saco de ideias" - que ele aproveitava ao longo do ano conforme a necessidade.

As férias alimentam a atividade dos professores não só porque trabalhamos melhor quando estamos descansados mas também porque nos sobra tempo para refletir sobre o que e como ensinamos. A idéia de ócio criativo, divulgada pelo professor italiano Domenico de Masi, me parece muito apropriada. Ele escreve que seríamos mais felizes se os momentos de trabalho, lazer e estudo estivessem mais ligados. Isso implica que o trabalho e o estudo deveriam nos dar mais satisfação e ser mais divertidos. Por outro lado, aquilo que fazemos durante as horas de lazer também pode envolver aquisição de conhecimento. Reconhecer que os momentos de lazer contribuem para o estudo e o trabalho pode mudar nossa percepção sobre a docência, levando-a a ser mais criativa e prazerosa. Boas férias para nós!

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