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Por: NOVA ESCOLA

Poesia e ciência contra a picuinha de todo dia

Ainda não viramos hippies por aqui. Mas alguns versos, com planejamento, ajudam a repensar nossa escola

LEANDRO BEGUOCI,

LEANDRO BEGUOCI,
Diretor editorial e de conteúdo

Você tem um tempinho para ler uma versão adaptada, a famosa paródia, do poema Quadrilha, do Carlos Drummond de Andrade?

João colocava a culpa em Teresa, que desconfiava de Raimundo/que tinha um pé atrás com Maria que olhava de soslaio para Joaquim que falava mal de Lili/que não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. João tirou o filho da escola, Teresa pediu afastamento, Raimundo quis exoneração, Maria não aprendeu nada, Joaquim mudou de profissão e Lili decidiu fazer estágio no colégio J Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história.

Como você percebeu, meus dotes poéticos são limitados - assim como é limitada a nossa capacidade de melhorar a escola nesta espiral de culpa e picuinha. Ninguém sabe como começou, ninguém sabe como encerrá-la. A picuinha é um bichinho que nunca precisa caçar. Ao menor sinal, há um monte de gente disposta a alimentá-lo.

Porém, não basta se indignar. É preciso olhar para o problema da convivência entre alunos, professores e pais como uma ciência. Tem menos charme, é verdade - o drama também é um jeito de dar emoção às nossas vidas. Mas fazer isso ainda é a melhor maneira de cumprir nossa missão.

Para isso, você precisa chegar às raízes dos desentendimentos, indo além dos comportamentos individuais. No caso dos alunos, vale investigar por que alguns são desatentos, por que outros são indisciplinados e por que poucos estão engajados. Então, elabore propostas de intervenção - até os melhores alunos precisam de planos para avançar.

No caso dos colegas, o princípio é o mesmo. O que motiva alguns, o que desmotiva outros e quais são os fatores que agregam ou desagregam o corpo docente? Vale levar o diagnóstico e as Poesia e ciência contra a picuinha de todo dia Ainda não viramos hippies por aqui. Mas alguns versos, com planejamento, ajudam a repensar nossa escola sugestões para a equipe gestora. Pode parecer mais trabalho - e é. Essas ações consomem energia a curto prazo. Porém, economizam paciência e tempo a médio prazo. Afinal, só um masoquista acorda com vontade de sofrer.

E não, não nos esquecemos das famílias. O caso delas é mais complicado porque o convívio não é direto. Mas você pode criar espaços para entendê-las, como reuniões e festas. Também pode perguntar diretamente aos pais como eles gostariam de colaborar. O próximo passo é criar um plano de relacionamento - que pode ser feito com outros colegas e com a equipe gestora.

Por fim, é honesto dizer. Nem tudo está a seu alcance. A escola está na sociedade e vive situações fora do controle dela, como em zonas de conflito. De todo modo, é preciso estudar a sua escola também e se perguntar, com método, o que cabe a ela. Você vai perceber que o seu papel, dentro dessa instituição, é muito maior do que pensava - e a sua capacidade de influenciar positivamente a mudança, com outras pessoas, também.

Vamos quebrar esse ciclo negativo? Se tiver ideias ou exemplos, me escreva no leandro@novaescola.org.br (e, sim, estão liberadas piadas com meus dotes poéticos-paródicos).

Grande abraço,

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