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12 de Março de 2018 Imprimir
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Educação pública do Brasil ainda merece nota 5, diz ministro

Mendonça Filho disse que no curto prazo o resultado é baixo, mas que está em curva de crescimento. Ele também falou sobre o debate em torno da disciplina Golpe de 2016

Por: Paula Peres
O ministro da Educação, Mendonça Filho, durante a gravação do programa Roda Viva na TV Cultura   Foto: Divulgação

Em sua participação no Roda Viva em outubro de 2016, o ministro da Educação Mendonça Filho foi recebido com a seguinte pergunta: que nota daria para a educação no país? “Com certeza abaixo de cinco, quatro. Eu não posso imaginar que uma Educação que convive com 1,7 milhão de jovens fora do Ensino Médio, jovens que nem trabalham nem estudam possa ter uma nota de aprovação”, disse. Em sua segunda participação no programa, nesta segunda-feira (12), o tempo e as reformas não chegaram a fazer muita diferença. A nota foi cinco.

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"Considerando apenas os resultados, ainda não é possível dar nota seis para a educação brasileira. Mas se levarmos em conta iniciativas como a reforma do Ensino Médio e a homologação da Base Nacional Comum Curricular podemos dizer que estamos na direção correta“, disse Mendonça Filho.

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O debate sobre a implementação do Ensino Médio em tempo integral, nos mesmos moldes do projeto adotado pelo governo de Pernambuco, onde Mendonça Filho foi vice-governador na gestão Jarbas Vasconcelos, voltou a ser tema de discussão. Anteriormente, o ministro havia dito que era possível promover a mudança e ter impacto na vida de jovens pobres e excluídos. A conta é que até o final do governo de Michel Temer, ou seja, até o final do ano, haveria 900 mil alunos em regime de tempo integral. “Se os governos que se sucederem ao governo Temer adotarem essa medida, vamos superar a meta do Plano Nacional de Educação (PNE)”, disse ele.

Desta vez, Mendonça Filho reafirmou a insistência do governo em levar adiante a reforma do Ensino Médio. “O debate sobre a reforma do Ensino Médio é um debate de pelo menos 20 anos”, disse durante o programa. “Muitos governos tentaram e ninguém levou adiante. Nós tivemos a decisão política de promover a reforma”.

Segundo o ministro, 25% dos jovens que terminam o Ensino Fundamental abandonam o ciclo seguinte logo no início. “Apenas metade conclui o Ensino Médio, isso é uma tragédia”, afirmou. Relatório do Banco Mundial aponta que apenas quatro em dez jovens com até 25 anos completam o Ensino Médio no país. Apesar de indicadores do Ideb apontarem que o país não está avançando, o ministro afirmou que as medidas tomdas vieram de encontro ao que a sociedade pedia. “O fato de termos aprovado com maioria [a medida provisória] indica que era algo que não apenas os alunos queriam”.

A questão da valorização dos professores foi retomada com Mendonça Filho, que anteriormente havia dito que havia "uma necessidade muito grande de prestigiar a formação do professor brasileiro". "O professor é um componente essencial para que a gente possa promover mudanças na educação pública do nosso país", defendeu em 2016. O discurso se manteve, com adendos. “Infelizmente, os professores no Brasil perderam muito prestígio. Antigamente, no interior, era comum a elite do município ser composta pelo gerente do Banco do Brasil e professores. A boa educação também foi perdendo espaço e isso passa por uma boa remuneração. Nós investimos 6% do PIB em educação, o que é bastante. Mas investimos pouco em educação básica e muito em educação superior”.

Questionado sobre a polêmica da escola sem partido, o ministro afirmou: "Eu defendo a liberdade plena aos professores, com debate, com vigilância, mas através do controle social, e não por meio de uma lei específica". Em relação ainda à retirada das questões de gênero da Base, ele argumentou: "Vivemos um momento em que há um embate entre os ultraconservadores e pessoas que querem introduzir a ideologia de gênero nas escolas que a família brasileira não aceita".

Ainda durante o programa, o ministro da Educação teve de discutir a polêmica da disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”. Criada originalmente como disciplina não obrigatória na Universidade de Brasília (UNB), acabou ganhando espaço nas redes sociais. Mendonça Filho reagiu negativamente e chegou a dizer que “se cada um construir uma tese e criar uma disciplina, as universidades vão virar uma bagunça geral”. Ele afirmou que iria acionar a Advocacia-Geral da União (AGU), Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público Federal (MPF) para apurar se havia algum prejuízo aos cofres públicos. O ministro foi bastante criticado e disciplinas semelhantes surgiram em 13 universidades - algumas claramente como repúdio à censura.

“Eu nunca disse que ia procurar a justiça”, afirmou Mendonça Filho no Roda Viva. “Eu disse que poderia convocar órgãos de controle para identificar ou não o uso indevido do espaço público tendo como propósito exclusivo interesses partidários”. Ele acrescentou que tinha respeito pelos reitores e pelas universidades. “O direito à educação é um direito maior e eu não posso imaginar que você possa confundir educação com o estabelecimento de mecanismos apenas de propagação de propaganda política”.

Para encerrar o assunto, ele afirmou que é importante que o debate ganhe espaço na sociedade. “O que pressupõe a universidade é a pluralidade de ideias, com base científica”, disse.

O ministro também reafirmou sua intenção de deixar a pasta para concorrer às eleições deste ano. "Meu foco nas próximas eleições será Pernambuco. Estou disposto a concorrer a deputado federal, senador ou governador”. Sobre o fato de Educação não render votos no país, Mendonça Filho afirmou: "Enquanto o assunto Educação for dos governos e dos educadores, não vamos conseguir produzir a revolução que precisamos. Devemos mobilizar as pessoas".

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