Em Dia | Caro Educador

Como alunas e alunos aprendem?

Investigamos o que se sabe sobre o cérebro e dizemos o que pode mudar na sua aula - agora ou no futuro

POR:
Leandro Beguoci
Ilustração: Adriana Komura

Você já deve ter se feito estas perguntas. Como aquela pessoinha, sentada na sua frente, finalmente aprendeu a ler? E por que outras crianças, apesar de todos os seus esforços, não progrediram tanto? Talvez você tenha ido mais fundo, filosofando enquanto toma um café antes da próxima aula. Será que existe alguma conexão misteriosa entre professores e alguns alunos? Como ela se dá? É telepatia? A gente sente isso, às vezes. Parece que alguns estudantes leem a nossa mente. Mesmo que você seja avesso a divagações, provavelmente já se questionou: uma lousa, um professor e alunos sentados em fila, essa realmente é a melhor forma de organizar a sala?

Perguntar é o primeiro passo para aprender, como já mostram as pesquisas em Educação. Mas esse método vai além da nossa área. Com questões parecidas com as suas, cientistas ao redor do mundo tentam entender um personagem central, e quase sempre pouco discutido, do processo de ensino-aprendizagem. Sim, ele mesmo, o cérebro.

Com o perdão do exagero, sabemos tão pouco sobre ele quanto sobre o Universo. Essa massa de sangue e carne, movida a impulsos elétricos, é capaz de coisas extraordinárias. Coordena nossos movimentos, aprende, inventa, conta histórias. Nenhuma das invenções humanas superou a complexidade do cérebro - e é muito difícil que isso aconteça. Afinal, só é possível entendê-lo plenamente em pessoas vivas. Diferentemente de outros órgãos, que funcionam de forma mais mecânica, a nossa mente é sobretudo conexão e movimento - e replicar isso é muito difícil com as técnicas tradicionais de investigação sobre o corpo. Um coração morto ainda é um coração. Um cérebro morto não é mais um cérebro.

Porém, ao longo dos últimos anos, evoluímos. O conhecimento aumentou. Mitos caíram (sim, você ainda pode aprender uma língua com fluência depois da infância!), algumas novidades surgiram e, sobretudo, novas perguntas estão sendo feitas. Esse diálogo cada vez mais rico entre a pedagogia, a neurociência e a psicologia está produzindo, neste momento, ideias interessantíssimas sobre como nós, humanos, aprendemos.

Nesta edição de NOVA ESCOLA, mostramos o que já se sabe sobre esse processo com base em pesquisas sobre o cérebro. Fomos atrás dos estudos mais recentes, falamos com alguns dos grandes cientistas da área, dentro e fora do país, e levamos a eles a pergunta que dá título a este texto, inspirada num questionamento feito pela professora Claudia Zuppini Dalcorso a nossa equipe: afinal, como alunas e alunos aprendem?

Ainda há muito a aprender. Mas, como diz o compositor Tom Zé, "o que salva a humanidade/É que não há quem cure a curiosidade". Dentro e fora da aula, não há pergunta proibida. Questões? Divida as inquietações do seu cérebro conosco. É só me escrever: leandro@novaescola.org.br.

LEANDRO BEGUOCI
Diretor editorial e de conteúdo