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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

07 de Março de 2018 Imprimir
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A hora e a vez da Educação Infantil

Políticas como a Base e o PNAIC estão ajudando a valorizar a etapa

Por: Mara Mansani

Crédito: Getty Images

Estou vivendo uma experiência diferente e muito especial na Educação. Sou formadora do Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), de professoras da Educação Infantil. Minhas alunas, dessa vez, são minhas colegas de trabalho na Rede Municipal de Salto de Pirapora/SP.

Como eu já disse em outros posts, minha primeira turma de alunos foi na Educação Infantil, e fiquei nessa área por alguns anos. Já nos primeiros encontros de formação, pude reviver meus tempos de docência nessa etapa tão importante para o desenvolvimento infantil.

Atualmente, a Educação Infantil está passando por um momento importante, de renovação e reflexão sobre seu papel na formação dos pequenos. Prova disso é o próprio PNAIC, que pela primeira vez desde que foi implantado, abre as portas para a formação desses professores (a grande maioria professoras), sedentos por aprender e renovar suas práticas.

Mas um novo olhar sobre a Educação Infantil também está sendo proposto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que, polêmicas à parte, prevê e encaminha um novo tempo, onde os alunos da Educação Infantil são vistos como ativos protagonistas em seu processo de formação e aprendizagem.

Na BNCC, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento dos pequenos são explorados em campos de experiência:
- O eu, o outro e o nós;
- Corpo, gestos e movimentos;
- Traços, sons, cores e formas;
- Escuta, fala, pensamento e imaginação;
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

Esses campos abrem muitas possibilidades de prática educativas inovadoras e que podem transformar a sala de aula Brasil afora. Precisamos estudar e nos apropriar desses importantes documentos.

O PNAIC oferece nove cadernos com materiais de referência muito interessantes. Os cadernos 4 e 5 trazem uma nova perspectiva sobre a relação dos bebês com a leitura e a autoria. Quando vi pela primeira vez uma roda de leitura de bebês, em um projeto de leitura em uma creche, tomei um susto! Fiquei maravilhada, porque nunca havia pensado nessa possibilidade. Mas sim, desde pequenos, os bebês podem se aventurar no mundo da leitura, da escrita, da arte e muito mais.

No planejamento do início do ano, com minhas alunas-professoras, estudamos e decidimos que, na Educação Infantil, teremos muitas rodas de leitura e contação de histórias e conversas, entre outras atividades, é claro.

A ideia é que a gente intercale esses momentos a cada 15 dias. Foi bonito e surpreendente debater com todas elas os gêneros textuais que iremos explorar nas salas de aula e ouvir suas experiências. São inspiradoras!

Na rede, também pretendemos implantar um boletim digital da Educação Infantil, que será compartilhado mensalmente com todas as escolas, mostrando projetos de sucesso, dicas de materiais de estudo, sites para pesquisa, notícias das escolas, etc.

Por fim, vamos elaborar um calendário musical digital. Minhas alunas-professoras receberão, mensalmente, a indicação de uma música infantil de qualidade para cantar e brincar com os pequenos, junto com uma atividade para realizar com aquela música.

É, a Educação Infantil não é mais a mesma. Finalmente, a professora da Educação Infantil (e o professor também) está criando uma identidade própria, e passa a ser vista como uma profissional de verdade, com sua devida importância. Até pouco tempo atrás, havia uma resistência até mesmo entre os docentes de outras etapas da Educação em enxergar os da Educação Infantil como professores, também. Como eu disse, a Educação Infantil vem tomando um novo rumo e quer conquistar seu espaço no Brasil.

Em outros posts, contarei a vocês como anda a relação entre teoria e prática nessa etapa, de acordo com o que pratico nas formações com minhas colegas-alunas-professoras. Sinto que esse estudo será muito útil para compreender melhor a transição entre as etapas do desenvolvimento infantil, que afeta diretamente a alfabetização.

Minha dica é que os professores alfabetizadores e os da Educação Infantil acessem o material do PNAIC e a Base Nacional, estudem, debatam em suas escolas e transformem suas práticas em sala de aula. Podem contar comigo, aqui no Blog para ampliarmos esse diálogo. Mas por enquanto, conte aqui nos comentários o que andam fazendo em suas escolas.

Um grande abraço a todos, em especial às minhas alunas de curso de Salto de Pirapora. Até a próxima semana!

Mara Mansani

Para assinaturas da revista impressa