Reportagem | FORMAÇÃO

Ganhar habilidades para a sala de aula

O governo anunciou novas políticas de formação. Entenda como elas podem ajudar você a avançar na carreira e aprimorar seu trabalho

POR:
Claudia Ratti

Você tem de fazer a gestão da sala de aula, lidar com questões de comportamento e, o mais importante, planejar sequências didáticas que considerem como os alunos aprendem cada um dos conteúdo - além de várias outras tarefas nada simples. São muitos os conhecimentos e as habilidades que precisam entrar em jogo na docência e elas nem sempre são adquiridas durante a faculdade. Para tentar lidar com os problemas da formação inicial - entre eles, a pouca relação entre teoria e prática, e o pouco espaço para as didáticas específicas -, o governo anunciou, no final de 2017, uma nova política de formação de professores, que engloba novas medidas sobre o assunto e repagina outras já existentes.

Os desafios ligados à formação são muitos. O primeiro é o fato de que ainda há muitos professores que não concluíram o Ensino Superior. Dados do Censo Escolar 2017 mostram essas lacunas: 18,1% não terminaram o Ensino Médio e 6,2% estudaram apenas até o Ensino Fundamental. No Ensino Médio, 13,2% não têm licenciatura.

Outro desafio se refere à qualidade dos cursos. "Os alunos saem das faculdades com pouca informação sobre o que ensinar e como ensinar", afirma Cesar Callegari, relator da Comissão de Formação de Professores do Conselho Nacional de Educação (CNE). No fim das contas, falta ligação com a prática. Isso explica porque as especificidades de alguns processos como o de alfabetização são pouco abordadas. No atual cenário, caberia à formação continuada - dentro e fora da escola - prover conhecimentos que ajudassem o professor a realizar seu trabalho, mas as vagas disponíveis ainda são poucas e os cursos ofertados nem sempre atendem às demandas mais urgentes.

Nenhuma das questões listadas acima é novidade e diversas medidas têm sido tomadas nas últimas décadas. Por isso, parte dos programas anunciados agora se apoia em iniciativas já existentes (confira cada uma e como se inscrever nas ilustrações abaixo). Heleno Araújo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), acredita que as medidas não são suficientes. "As propostas partem da ideia de que o principal problema da Educação são os professores. Existem outros indicadores fundamentais para alcançar o objetivo de ensinar ao aluno, como a remuneração dos docentes e a estrutura das escolas", diz. Mas há quem veja as propostas com algum otimismo. "Qualquer iniciativa que vincule a formação à prática é extremamente importante e poderá servir para melhorar a qualidade do ensino", defende Lúcia Helena Gomes, coordenadora da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Nas próximas linhas, conheça cada uma das novas políticas e entenda o que fazer para concorrer a uma vaga nas novas formações.

O JOGO DA FORMAÇÃO

Cada iniciativa traz novas habilidades para o trabalho em sala.

Ilustração: Aluísio Cervelle Santos

1 Base Nacional de Formação Docente

O QUE É Um documento que pretende nortear os currículos da graduação em pedagogia e das licenciaturas, com a intenção de adequá-los à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Básica.

QUANDO ENTRA EM VIGOR

A discussão sobre ela ainda está em fase inicial. O MEC promete para 2018 audiências públicas sobre o tema, mas não há nada definido em relação a prazos e à divulgação final do documento.

COMO ADERIR

Será parte dos cursos de graduação, porém não deve ser obrigatória para todas as universidades.

Ilustração: Aluísio Cervelle Santos

2 Residência Pedagógica

O QUE É O governo afirma ser uma modernização do Pibid. Tem a intenção de universalizar o estágio de formação docente e aproximar a teoria e a prática na graduação. A partir do terceiro ano, os alunos participarão de um estágio supervisionado em escolas.

QUANDO ENTRA EM VIGOR

São Paulo será o primeiro município a aderir ao programa, dando exemplo ao restante do país. Ainda não há previsão para a implementação em outras cidades, mas estima-se que 80 mil vagas de Residência Pedagógica serão oferecidas em 2018.

COMO ADERIR

Os alunos de graduação deverão procurar suas instituições de ensino para verificar a disponibilidade de vagas.

3 Política Nacional de Alfabetização

O QUE É Entre as medidas - como a implantação de assistentes de alfabetização nas salas dos 1º e 2º anos do Fundamental -, está um conjunto de iniciativas de formação, como um mestrado profissional em alfabetização para quem atua nessas séries.

QUANDO ENTRA EM VIGOR

A expectativa é de que a partir de março o programa Mais Alfabetização esteja em pleno funcionamento.

COMO ADERIR

As redes serão as responsáveis por fazer a adesão ao programa e definir quais escolas receberão o apoio.

4 Profic

O QUE É O Programa de Formação Inicial e Continuada para Professores da Educação Básica (Profic) é a atualização do modelo do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor).

QUANDO ENTRA EM VIGOR

No início de 2018, os professores já puderam se inscrever para cursos sobre Alfabetização, Língua Portuguesa, Educação Infantil e Matemática.

COMO ADERIR

Os professores interessados devem cadastrar seus currículos na Plataforma Freire (freire2.capes.gov.br).