A arte do mundo inteiro a um clique do seu aluno

Saiba como organizar visitas virtuais a museus com ferramentas do Google Art Project e o que fazer para as aulas não se transformarem em meros passeios online

POR:
Daniela Almeida
Experiência de curadoria. Reprodução
EXPERIÊNCIA DE CURADORIA O professor
Carlos Arouca, da Escola Vera Cruz,
criou uma galeria com o tema Onde Você
Passou Suas Férias
. A ideia é mostrar
ao público o que os artistas teriam visto
durante uma temporada de viagens.
No destaque, uma obra do francês
Gustave Coubert (1819-1877), exibida
na Alte Nationalgalerie, na Alemanha

Há poucos meses, apreciadores de arte e estudiosos do tema ganharam uma nova possibilidade de explorar os corredores de vários museus e ficar frente a frente com as obras seja lá de onde for, a qualquer hora e sem gastar um tostão. Trata-se do Google Art Project, mais um site de acervos online. Porém não são somente esse ganho que justifica o uso de materiais virtuais. Como essas, a oportunidade de apreciar criações de Pablo Picasso (1871-1973), Paul Cézanne (1839-1906) e Tarsila do Amaral (1886-1973) com apenas alguns cliques é excelente e deve ser (bem) aproveitada na sala de aula.

Por isso, você tem de ir além e proporcionar à moçada aprendizagens reais. Para isso, precisa sistematizar a oportunidade, focando especialmente práticas que não seriam possíveis em uma visita presencial. A ferramenta de zoom disponível em alguns sites, por exemplo, funciona como uma lente de aumento e permite às crianças conhecerem as obras em detalhes, a ponto de observarem coisas que a olho nu passariam despercebidas. "Em uma investigação atenta, por exemplo, percebe-se que algumas pequenas áreas de um quadro não receberam tinta e a tela está crua ou que, em outras, a tinta está rachando devido ao passar do tempo", explica Carlos Arouca, professor da Escola Vera Cruz, em São Paulo. Também é possível analisar o tipo de material utilizado. Em um quadro de Vicent Van Gogh (1853-1890), chega-se a um nível de detalhamento que permite ver a espessura da massa de pigmento que o artista usava. "A olho nu, isso é inviável", explica Arouca.

Galerias virtuais permitem exercícios de comparação

As visitas virtuais também proporcionam apresentar diversos acervos simultaneamente e colocar lado a lado, na tela do computador, obras que estão em museus a quilômetros de distância um do outro ou peças diversas de uma mesma instituição sob vários agrupamentos. O acervo online do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), por exemplo, permite que o internauta aprecie trabalhos organizados por artista, categoria (como tapeçaria, escultura, desenho etc.), período e procedência. Uma chance e tanto para criar o próprio acervo, sob diversos olhares, e fazer exercícios comparativos. Como diferentes artistas retratam o mesmo objeto? Quais as diferenças que marcam a obra do mesmo pintor nas diferentes fases da carreira dele? Como a técnica escolhida influencia o resultado final? Esses são alguns dos questionamentos para trabalhar com os estudantes (leia o projeto didático).

Perceba que a boa visita online é, definitivamente, mais que um simples passeio com o mouse em mãos. "Tem de existir oportunidades de interação entre a garotada e as obras, com exploração das ferramentas disponíveis. E, para isso, o planejamento feito pelo educador é imprescindível, tal como a mediação durante a atividade", diz Renata Oliveira, professora do Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Não faz sentido, por exemplo, sugerir às crianças, durante a caminhada virtual, fazer de conta que estão lá. "Trata-se de vivências diferentes", explica Denise Grinspum, presidente do comitê brasileiro do International Council of Museums (Icon). Por mais que seja possível andar virtualmente pelos corredores da Fundação Iberê Camargo, localizada fisicamente em Porto Alegre, por exemplo, a experiência ao vivo conta com atributos próprios. Eles têm a ver com o aspecto físico do lugar (a temperatura e a luz, por exemplo, que interferem na maneira de observar) e com a interpessoalidade (ir a um museu implica em encontrar outras pessoas e interagir com elas).

O ideal, portanto, é garantir sempre que possível os dois tipos de programa. Assim, a moçada se aproxima da arte para se apropriar da cultura produzida por toda a humanidade.

Reportagem sugerida por 2 leitoras: Francieli Fagherazzi, Farroupilha, RS, e Rossana Martins Facca, Padre Paraíso, MG

O erro mais comum

Não explorar os acervos virtuais, a navegação e as ferramentas disponíveis antes de apresentá-los aos alunos. Além de atrasar a aula, as crianças ficam perdidas, sem um modelo para se basear. Ao planejar o trabalho, reserve um tempo para conhecer bem os sites.

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