Projeto de Ensino Médio representa Brasil nos EUA

O projeto em tempo integral integra aprendizagem de disciplinas ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais e colaborativas

POR:
Soraia Yoshida
Projeto Ensino Médio em Tempo Integral, do Instituto Ayrton Senna, atinge hoje 30 escolas em Santa Catarina   Foto:  Rafael Rosseti/Instituto Ayrton Senna

O desenvolvimento das competências socioemocionais de forma integrada à aprendizagem de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Ciências, entre outras disciplinas, é o diferencial de um projeto educacional que ganha destaque no SXSW EDU, evento que acontece em Austin, nos Estados Unidos. Considerado o braço educacional do mega festival SXSW, que reúne gente criativa do mundo inteiro, aqui o foco é na educação. E o projeto Educação Integral no Ensino Médio de Santa Catarina é o único case brasileiro representado no palco.

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Desenvolvido pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com a Secretaria de Educação de Santa Catarina, o projeto abarca 30 escolas e atinge mais de 4 mil alunos. Começou em 2017 com 15 escolas e tomou corpo na virada do ano. Nesse formato, além do tempo integral, alunos do Ensino Médio são incentivados a desenvolver o protagonismo juvenil, ganhando autonomia e fomentando o crítico, tudo isso trabalhando de forma colaborativa. “As habilidades socioemocionais fazem parte do processo de desenvolvimento e das competências humanas”, afirma Helton Lima, gerente de projetos do Instituto Ayrton Senna.

O projeto cria uma dinâmica diferente dentro e fora da sala de aula. Cada aluno conta com um professor de referência – a quem pode recorrer para resolver questões pontuais. Os alunos trabalham em times, inclusive com outros colegas de classes diferentes e dentro de uma mentalidade de solução de problemas. Já os professores adotam o modelo pedagógico desenvolvido pelo instituto para incentivar e desafiar os estudantes no dia a dia. “Os professores olham para o processo de avaliação de forma mais alinhada e articulada”, diz Helton. “Eles estão empenhados em ouvir mais, vivenciar essa experiência para trazer à tona o conhecimento do aluno, em vez de ficar apenas presos à lousa”.

Para os gestores, o novo modelo incentiva um olhar mais atento a indicadores e atividades que se passam a fazer parte do padrão. Antes, os gestores não faziam observação de sala de aula e agora é uma prática", diz Rita Carmona, gerente de projetos Desenvolvimento de Soluções Educacionais do Instituto Ayrton Senna. Com isso, a integração vai de uma ponta a outra. "O grande fator de integração do currículo é o aluno. O aluno é o mesmo passando por diferentes disciplinas, diferentes espaços, mas muitas vezes ele vivencia uma experiência que é totalmente fragmentada, em termos de aprendizagem", diz Helton.

Para promover essa mudança de cultura nas escolas, o instituto montou material de apoio com orientações de planejamento de aula. A ideia é que para os professores mais experientes, esse material funciona como apoio e para quem tem menos horas de sala de aula, é um roteiro. Um e-book traz as práticas de gestão e há ainda um caderno de gestão pedagógica. Para se ter uma ideia da preocupação com a proposta curricular, para implementar o material de Espanhol este ano, o instituto disponibilizou um especialista para trabalhar com os professores. As escolas contam com um coaching realizado mensalmente na secretaria, além de atividades e ações à distância e online.

Alunos do Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, o primeiro a implantar o projeto de Ensino Médio em tempo integral criado pelo Instituto Ayrton Senna   Foto:  Fernando Souza/Instituto Ayrton Senna.

O programa original teve início no Colégio Estadual Chico Anysio (CECA), no Rio de Janeiro, em 2012, a partir de experiências como o Superação Jovem que já mirava o protagonismo dos estudantes. "Os projetos implementados pelo instituto junto a redes tinham que ter uma vocação para escala, a condição de chegar a um atendimento mais amplificado", lembra Helton. No CECA o trabalho incluiu um núcleo articulador, focado em desenvolver projetos de pesquisa e vida, entre outros, pensando o currículo de maneira integrada. Os resultados no CECA foram relevantes, o que levou o instituto a buscar parceiros para dar escala ao programa de Ensino Médio em tempo integral e com essa proposta. A Secretaria de Educação de Santa Catarina mostrou interesse e bancou a aposta de formação e integração. O Instituto Ayrton Senna, em contrapartida, teve de negociar uma customização para dar tons locais ao projeto – atendendo às necessidades de algumas escolas.   

“Nosso objetivo é fazer com que esse conhecimento seja enraizado na rede para que possa ser perpetuado mesmo, ampliando e ganhando vida própria”, afirma Helton. “Por isso esse trabalho tem uma aposta nossa que é promover mudanças e transformações mais profundas na Educação”.

Rita Carmona, responsável pela apresentação do projeto em território norte-americano, acredita que há espaço para atrair parceiros. "Eu espero que a gente possa inspirar pessoas e dar visibilidade ao modelo ara multiplicar", diz.

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