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BNCC permite diferenciar avaliações da Prova Brasil, diz presidente do Inep

Para Maria Inês Fini, avaliações processuais devem cobrar habilidades, e os exames em larga escala, competências

POR:
Rodrigo Ratier
Maria Inês Fini, presidente do Inep   Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Conselho Nacional de Educação deu prazo de um ano para adaptar as avaliações em larga escala à matriz da BNCC. A tarefa cabe ao Inep, braço do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que inclui exames como a Prova Brasil e a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA).

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Maria Inês Fini, presidente do Inep, diz que o trabalho de ajuste do banco de itens à matriz curricular já começou. “As novidades vão aparecer nas próximas edições da Prova Brasil e da ANA, previstas para 2019”, afirma. Para Maria Inês, a BNCC apresenta uma oportunidade de diferenciar o conteúdo cobrado pelas avaliações externas e as processuais (exames que os professores e escolas fazem com seus alunos periodicamente).

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As provas do dia a dia ficariam focadas na aferição de habilidades, que são as aprendizagens essenciais esperadas para cada ano. As de larga escala, por sua vez, enfatizariam as competências – conjuntos de saberes mais globais que abarcam as habilidades. Se o conteúdo da Prova Brasil e da ANA mudam, o processo de aplicação continua o mesmo. Confira a entrevista, realizada durante o evento “Competências na Ibero-América”:

As avaliações externas preparadas pelo Inep já estão sendo repensadas?
Sim. O Inep tem a tarefa bastante ampla de rever tanto as bases da ANA, que volta para o 2º ano, quanto da Prova Brasil, aplicada no 5º e 9º anos. Teremos mais clareza sobre o que avaliar. Por exemplo, a Base estabelece com bastante especificidade o que as crianças têm de aprender para serem consideradas alfabetizadas.

A Base ajuda a separar o que os professores devem avaliar no dia a dia e o que cabe às avaliações em larga escala?
Sim. Com a BNCC podemos fazer essa articulação: o que é o papel da avaliação em larga escala, o que ela vai avaliar e para quem vai oferecer seus resultados. Também estabelece quem ou o quê o professor, a escola e a rede vão cobrar nas avaliações processuais.

Qual deve ser a diferença?
A expectativa é que a avaliação processual cobre as habilidades da Base, e a avaliação externa, as competências. Num passado não muito distante, usava-se treinar os alunos para os itens do Saeb. Isso é completamente errado, é enganoso, porque o item do Saeb avalia uma competência mais geral, estrutural. E para que o aluno tenha desenvolvido essa competência, ele precisa desenvolver inúmeras habilidades associadas a ela.

Isso tende a diminuir?
Espero que sim. Nós vamos dividir tarefas. O professor vai enxergar que o que ele faz a cada aula prepara o aluno para o bom desempenho no Saeb. Os processos cotidianos facilitados pelo professor colaboram para desenvolver aqueles mais integrados e sintéticos que a avaliação em larga escala percebe.

Muda alguma coisa na aplicação do exame?
Não. A prova continua sendo obrigatória e tendo todos os efeitos atuais – por exemplo, na composição do Ideb. Nós só vamos ajustar os itens à nova matriz curricular proporcionada pela Base.

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