Habilidades socioemocionais podem melhorar Educação no Brasil

É importante investir na formação dos professores para trabalhar essa competência em sala de aula, defendem especialistas

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NOVA ESCOLA
Alunos do Ensino Médio realizam prova do Enem

As escolas brasileiras, especialmente no Ensino Médio, olham muito para o acesso ao Ensino Superior e deixam de dar a devida importância ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A conclusão faz parte do relatório “Um Panorama sobre Resolução Colaborativa de Problemas no Brasil”, organizado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional).

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A análise, que considerou a visão de especialistas em Educação, aponta que é importante que a escola assuma esse papel na formação integral do ser humano. “É claro que o aluno ainda tem que saber o que é uma equação de 2° grau, mas não é só isso”, afirma Anita Abed, psicopedagoga na Mind Lab do Brasil e consultora da Unesco ouvida no estudo. “A escola tem que transmitir o conhecimento, mas também ensiná-lo a lidar com esse conhecimento, a ser crítico, e usar o que aprende para resolver problemas na sociedade”.

Para que isso aconteça, é preciso investir na formação de professores. E estes devem enxergar as competências dentro da grade curricular. “Habilidade socioemocional é como andar de bicicleta, você só aprende andando”, diz Anita. “É preciso viver situações que possibilitem ao aluno a colaboração”.

Para Raquel Guimarães, professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante da Comissão Assessora de Especialistas para Avaliação de Políticas Educacionais do Inep, no atual Ensino Médio há grande foco no Enem e nos vestibulares e “pouco foco no desenvolvimento de competências que requerem interações entre os estudantes”. “O currículo deve incorporar, de forma transversal às áreas do conhecimento, a possibilidade de desenvolvimento dessas competências”, afirma.

Ela defende, ainda, que no caso dos professores, é necessário mudar de paradigma na sala de aula, incorporando o conceito de salas invertidas, em que o professor tem o papel de mediador/facilitador, liderando discussões e dinâmicas. “Mas para tudo isso é preciso que o professor esteja preparado”, afirma.

Ernesto Faria, diretor e fundador do Iede, defende que o desenvolvimento de altas expectativas seja um processo contínuo e que esteja no plano pedagógico, trabalhado nas formações para “virar cultura”. “Precisamos de gestores escolares que entendam que a Base Nacional Comum Curricular é só um ponto de partida”, diz ele no documento. “O que faz a diferença é a sua implementação e como as redes e escolas vão desenvolver o currículo e estratégias pedagógicas de forma a dar protagonismo aos professores e um norte para a prática docente”.