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Sala de Aula | Educação Física

Outros jeitos de jogar e brincar

Ao incluir práticas corporais de origens diversas, como o futebol indígena, a BNCC abre espaço para a turma pensar sobre o movimento

O jikunahati, conhecido como futebol de cabeça, uma das atividades que podem ser incorporadas nas aulas da disciplina. Foto: Mariana Pekin

Quais as principais modalidades para se trabalhar na escola? E a abordagem: mais focada em pensar sobre os movimentos ou praticá-los? Respostas para as mais importantes questões da disciplina começam a se desenhar na BNCC.

Sobre as modalidades, vale o que já definiam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN): além de esportes - como o futebol e o vôlei -, danças, lutas, ginásticas e práticas de aventura precisam estar no planejamento. É nesse contexto que se inserem esportes indígenas como o jikunahati, conhecido como "futebol com a cabeça", mas que lembra uma variação da queimada. Originalmente praticado pela etnia Haliti-Paresí, hoje presente no estado do Mato Grosso, o jogo foi adaptado pelo professor Flávio Nunes para a turma do 6º ano da EMEF Maria Rita de Cássia Pinheiro Simões Braga, em São Paulo (leia as regras abaixo). Ao experimentar a modalidade, os jovens puderam também ter acesso a um novo repertório de movimentos e posições que não fazem parte das atividades mais comuns nas aulas. Também puderam pensar em questões culturais: os locais em que o jogo é praticado e suas regras são muito diferentes do futebol tradicional. "A Educação Física permite não só a experimentação mas também o acesso ao modo como as modalidades são construídas e seus contextos", diz Flávio.

Esses aspectos culturais ligados à práticas corporais estão presentes no texto da BNCC, mas ainda de maneira tímida. "A consulta pública e os leitores críticos, inclusive, apontavam que a parte introdutória da disciplina precisaria ser mais densa", diz Marcos Garcia Neira, professor da Faculdade de Educação da USP e coordenador do Grupo de Pesquisas em Educação Física Escolar.

Na avaliação de Fábio D’Ângelo, coordenador pedagógico do Instituto Esporte e Educação, a concisão das indicações no texto permite a flexibilidade do currículo: "Sendo mais sucinto, a aplicação pode ser mais fácil, além de ampliar a possibilidade de agregar conteúdos locais".

FUTEBOL COM A CABEÇA
Uma versão do jogo indígena jikunahati desenvolvido pelo professor Flávio

Passo 1
Divida a quadra em dois campos. O objetivo do jogo é arremessar a bola - pode ser de vôlei - para o lado adversário com um único toque feito com a cabeça.

Passo 2
Na tradição indígena (veja em bit.ly/FutebolIndígena), os jogadores "mergulham" em um chão de terra batida ou areia. Para evitar acidentes, os alunos podem ficar agachados ou de joelhos.

Passo 3
Pontua-se de três modos: se a bola toca um jogador do outro time (exceto na cabeça), quando ela quica mais de uma vez no campo oposto ou quando o adversário não a rebate com força suficiente para atravessar o campo.

Passo 4
Nas aldeias, a partida não tem hora para terminar: se inicia pela manhã e vai até o anoitecer. Na escola, combine uma pontuação a ser atingida pelas equipes para encerrar o jogo.

Passo 5
Readapte à vontade. Em São Paulo, as crianças decidiram montar trios em vez de times grandes. Além disso, as meninas se sentiram desconfortáveis com a posição proposta inicialmente, o que fez com que todos experimentassem outras maneiras de jogar.

TRABALHANDO A HABILIDADE

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Recriar, individual e coletivamente, e experimentar, na escola e fora dela, brincadeiras e jogos populares do Brasil e do mundo, incluindo aqueles de matriz indígena e africana, e demais práticas corporais tematizadas na escola, adequando-as aos espaços públicos disponíveis.

Como abordar
Sugira que as crianças façam pesquisas na internet ou em outros canais. Depois, eles mesmos recriam as práticas descobertas, adaptando-as ao ambiente da escola e garantindo, é claro, a segurança de todos.

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