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Sala de Aula | Ciências


Por: Leonor Macedo

A favor da experimentação

Base não traz de maneira formal a ideia de experimento, mas isso não impede escolas de levar a prática à sala de aula

Imagem: Getty Images

Alunos adoram colocar a mão na massa, especialmente nas aulas de Ciências. Isso os ajuda a traduzir o conhecimento abstrato em algo mais palpável. Será que a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) contempla atividades práticas? Em uma primeira leitura do documento, parece que a experimentação foi deixada de lado: as palavras "experimento" e "experiências" aparecem apenas três e seis vezes, respectivamente.

Para Luís Carlos de Menezes, autor das duas primeiras versões da BNCC, é apenas uma questão de nomenclatura: a proposta de aprender por meio de vivências e testes está presente nas habilidades que se iniciam com verbos como observar, relatar, formular, fazer, construir. "Não há uma ideia de experimento de maneira tão formal, em bora muitas atividades apontem para práticas", explica o especialista em ensino de Ciências.

Ao montar o planejamento, o professor pode ficar atento às oportunidades para inserir as experiências. Mas um cuidado deve ser tomado: o ideal é que as práticas ajudem a responder dúvidas científicas sobre o mundo (leia mais sobre letramento científico). "A ideia de que experiência é a demonstração de um fenômeno é ultrapassada. O bom ensino de Ciências é o que se aprende fazendo como os cientistas", diz Paulo Blikenstein, professor da Universidade de Stanford (EUA). Segundo ele, as poucas habilidades que mencionam a realização de experiências e o uso de modelos têm foco apenas na demonstração de um conteúdo já estudado.

Cabe aos professores, então, garantir o bom uso dessa estratégia para o ensino. O desafio, muitas vezes, é garantir a estrutura necessária. Boa parte das escolas públicas não dispõe de laboratórios, reagentes e outros materiais. Mas isso não pode ser um empecilho. "A experimentação pode ser feita na sala, usando materiais baratos", defende Célia Senna, formadora de professores. Maristela Montanha, docente da EM Joaquim Monteiro Martins Franco, em Palotina (PR), utiliza o que tem. "Uso recicláveis e exploro o espaço da escola. As árvores frutíferas, por exemplo, são ótimas para as aulas de botânica", diz. O que importa é que os alunos elaborem hipóteses, pensem em maneiras de testá-las, modelem as experiências e as coloquem em prática. Como os cientistas fazem.

TRABALHANDO A HABILIDADE

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Aplicar os conhecimentos sobre as mudanças de estado físico da água para explicar o ciclo hidrológico e analisar suas implicações na agricultura, no clima, na geração de energia elétrica, no provimento de água potável e no equilíbrio dos ecossistemas regionais (ou locais).

Como abordar
Uma opção é conduzir um experimento em sala para reproduzir o tratamento da água em pequena escala, com observação, registros e investigação de cada fase.