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Sala de Aula | História

Não fique amarrado pela cronologia

A organização da BNCC pela ordem dos acontecimentos históricos não impede que você trabalhe por eixos temáticos

Além da polêmica: professores podem organizar o trabalho como preferirem, ainda que sigam a cronologia. Ilustração: Pedro Handam

Como encaixar mais de 6 mil anos nos quatro relativos ao Ensino Fundamental 2? Esse é o desafio que os redatores da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tiveram que enfrentar ao escrevê-la. Para solucionar a questão, seguiram uma perspectiva ligada à cronologia: ela começa, no 5º ano, estudando antiguidade e segue a ordem dos fatos, até que os alunos aprendam sobre o mundo contemporâneo, no fim do 9º ano.

Apesar de ser essa a abordagem mais comum nas escolas e nos livros didáticos atuais, pesquisadores sobre o ensino de História, como Juliano Custódio Sobrinho, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), defendem um caminho diferente: o trabalho por eixos temáticos. Ao eleger um tópico e analisá-lo em diferentes momentos históricos, os jovens aprendem a observar as transformações relativas ao assunto e também criar relações entre o período estudado e a atualidade. "Quando falamos sobre as revoluções burguesas na Europa, por exemplo, queremos que os alunos entendam como essa ideologia chegou ao Brasil, que impactos ela teve na época e quais as consequências dela até hoje", explica.

Um caminho de conciliação é possível: usar as habilidades apresentadas na BNCC como ponto de partida para um trabalho temático. Joelza Esther Domingues, historiadora e autora de livros didáticos, defende a cronologia como norteadora do trabalho, principalmente no Ensino Fundamental. "Isso não significa que o professor está preso às habilidades da Base. O documento traz o mínimo obrigatório para cada etapa de ensino, mas nada impede que ele acrescente conteúdos novos ao planejamento", explica a especialista.

Um exemplo: na habilidade EF07HI09 (leia mais no quadro abaixo), é possível começar com explicações sobre a conquista europeia da América para refletir sobre os impactos desse acontecimento presentes até hoje nas comunidades indígenas. É o que faz o professor Danilo Nakamura, da EMEF Liberato Bittencourt, em São Paulo, com as turmas do 7º ano. Depois de dar aulas expositivas sobre o descobrimento do Brasil e falar sobre a cultura indígena, Danilo estabelece um paralelo entre os nativos que se encontraram com os portugueses no século 16 e os existentes hoje. Essa expansão foi feita com o uso de materiais de apoio como o filme Terra Vermelha, dirigido por Marco Bechis, e por uma visita à aldeia urbana do Pico do Jaraguá, na periferia da cidade. "Os alunos brincaram com as crianças, conversaram com o cacique e almoçaram na comunidade. No final, eles entenderam que a cultura indígena estudada em sala ainda vive, mais perto do que eles imaginam", lembra o professor. A abordagem encurtou a distância entre alunos e indígenas de séculos para apenas alguns quilômetros.

Ilustração: Pedro Handam

TRABALHANDO A HABILIDADE

EF07HI09
Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência.

Como abordar
Discuta com os alunos tanto os efeitos imediatos do contato entre nativos e europeus na chegada à América quanto as consequências e disputas que seguem até hoje.

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