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Jornalismo

Gestão escolar: conselho de classe e as possibilidades para o replanejamento

Passados dois meses do início das aulas, é tempo de replanejar e aparar arestas, para consolidar o impacto dos projetos desenvolvidos em nossas escolas

PorJosé Marcos Couto Júnior

27/04/2022

Crédito: Getty Images

Planejar e replanejar são (ou pelo menos deveriam ser) verbos corriqueiros e ações cotidianas na vida de todo educador – esteja ele atuando como professor ou na gestão de uma escola. Afinal, os alunos, a comunidade escolar e o seu entorno são vivos, dinâmicos e mutáveis, por isso é tão importante reordenar as coisas com frequência. 

Esse processo de replanejar consiste em refletir, aparar arestas e ajustar rotas, um movimento necessário para consolidar o impacto dos projetos e metas pedagógicas – e para que eles tenham, dessa forma, significado e significância junto à comunidade escolar ao longo do tempo. 

Um ponto importante diz respeito ao timing dessa reflexão: ela deve ser periódica e paralela aos acontecimentos que afetam a escola. É por meio desses momentos que, com algumas readequações, boas ideias não se perdem e novas abordagens se incorporam, gerando resultados finais diferentes dos traçados inicialmente, mas ainda assim com bons frutos. 

O único problema, amigo leitor e amiga leitora, é que a rotina escolar pode nos engolir – então, se não nos atentarmos e definirmos pausas para autoavaliações do nosso trabalho, podemos nos perder, e com isso, perder também a chance de impulsionar melhorias nas nossas instituições. 

Então, agora que chegamos ao final do mês de abril, com a conclusão do primeiro bimestre em boa parte das escolas do país, nada melhor do que separar um tempo para compreender o que deu certo, o que deu errado, o que faz sentido e o que precisa ser modificado nos planejamentos e projetos.

Apoiando a equipe no replanejamento contínuo 

Nesse curso, diretores e coordenadores pedagógicos de escolas de Ensino Fundamental vão aprender a elaborar um instrumento de planejamento que envolva questões como a modalidade de ensino adotada pela escola, as ações do professor e do aluno, além de objetivos de aprendizagem e habilidades a serem trabalhadas.


Conselho de classe e autoavaliação dos trabalhos
 

O conselho de classe é o espaço prioritário para a avaliação em uma escola, sendo por vezes o único momento que os professores possuem para se encontrar e debater o desempenho e o desenvolvimento dos seus estudantes. No entanto, nem só de debate sobre notas e conceitos se faz um conselho: com a presença de toda a equipe, ele se torna uma grande oportunidade para a realização de replanejamentos e possíveis adequações das ações e projetos anuais, que foram elaborados em fevereiro no retorno dos professores e funcionários à escola. 

Assim, para que esse processo se concretize, o primeiro passo é uma prática recorrente de todo diretor e coordenador pedagógico: solicitar aos docentes para que cheguem ao conselho com seus lançamentos e apontamentos organizados. Tendo esse ponto de partida, é importante então que haja uma pauta bem definida para essa reunião, e que nela o replanejamento conste como um dos itens, evitando, assim, que se torne um assunto secundário e debatido “apenas se houver tempo”. A partir dessas definições, os gestores devem se atentar para três importantes elementos norteadores: 

- Em primeiro lugar é preciso retomar os documentos ou arquivos referentes ao planejamento anual e/ou temático definido no início do ano letivo. Trata-se de uma atitude necessária para relembrarmos o que havia sido pontuado e acordado como metas a serem atingidas até aquele momento, bem como os objetivos estabelecidos até o final do ano; 

- Em sequência, cabe a nós gestores sugerirmos uma avaliação do que foi realizado nestes primeiros dois meses de aulas, visando entender coletivamente o que foi feito, o que funcionou e o que não funcionou, e por que (se for o caso) algo deixou de ser posto em prática; 

- Por fim, resta compreendermos se o planejamento de dois meses atrás ainda faz sentido. Aqui, é importante levar em consideração possíveis eventos ocorridos no entorno da escola, e até mesmo a resposta da comunidade escolar ao que foi proposto e executado. 

Seguindo esse caminho, torna-se possível redefinir planos e projetos, nos mantendo em consonância com a realidade da escola neste final de bimestre. E mais do que isso: se realizarmos esse processo de forma periódica, viabilizaremos a elaboração de novas estratégias para nossos planejamentos anuais, apontando metas mais plausíveis – ou mesmo realizando uma completa redefinição dos planos, se necessário. 

Combo de cursos: Gestão Escolar

Esse combo de cinco cursos de NOVA ESCOLA engloba duas formações para coordenação pedagógica, construção de Projeto político-pedagógico alinhado à BNCC; avaliação na Educação Básica e três ações para uma boa relação entre o professor e a família 

Reflexões contínuas sobre replanejamento 

Considerando que o conselho de classe tem uma periodicidade bimestral, ou trimestral em algumas redes, podemos estar diante de um espaçamento grande para certas ações de replanejamento. Basta lembrar do início da pandemia no Brasil em março de 2020: tudo o que havíamos pensado para aquele ano perdeu o sentido em uma semana. Assim, quando um grande acontecimento afeta (para o bem ou para o mal) a nossa comunidade escolar, é imprescindível não perdermos tempo, e replanejar – o que exige reflexões cotidianas na escola sobre essas readequações. 

A garantia de 1/3 da jornada docente para o planejamento dos professores (Lei 11.738/2008) seria um caminho concreto para isso, mas infelizmente nem sempre essa determinação é respeitada. Desse modo, da parte das coordenadorias e secretarias de Educação, é crucial que ocorra a contratação e alocação de profissionais, para possibilitar uma jornada de trabalho que permita aos educadores tempo para autoavaliarem e aprimorarem a sua prática. 

Já para nós, gestores escolares, impõe-se a necessidade de elaborar estratégias para o diálogo e a reflexão contínua de sua equipe, em iniciativas como uma modificação pontual na grade, e parcerias junto à comunidade para o atendimento dos alunos e/ou atividades que não prejudiquem o dia letivo, mas que garantam um tempo propício para o replanejamento. 

Lembremos sempre que refletir, readequar e replanejar é, acima de tudo, um investimento na qualidade das nossas unidades escolares. 

Um forte abraço e até o mês que vem! 

José Couto Júnior é licenciado em História, tem Mestrado em Educação pela Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e é doutorando em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Em 2018, foi eleito Educador do Ano no Prêmio Educador Nota 10. Servidor da Prefeitura do Rio de Janeiro há 13 anos, atua desde 2019 como diretor na Escola Municipal Professora Ivone Nunes Ferreira, no Rio de Janeiro (RJ).

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