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Jornalismo

Dia da Matemática: como celebrar a data com as famílias dos alunos

Confira sugestões de como envolver os pais e responsáveis nessa celebração

PorSelene Coletti

18/04/2022

Crédito: Getty Images

Desde 2013, a data 06 de maio é considerada o Dia Nacional da Matemática, uma homenagem ao professor Júlio César de Mello e Souza, conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan. Ele foi professor, pesquisador, engenheiro, escritor e editor. Eu acrescentaria que foi um dos precursores da perspectiva que busca uma Matemática mais significativa.

Neste dia, as escolas costumam realizar atividades relacionadas ao componente curricular como forma de deixar de vê-la como algo complexo ou “para poucos” – noção que só existe para aqueles que ainda não perceberam a sua importância e o quanto ela está presente na maioria das coisas que realizamos no nosso cotidiano.

Meu objetivo, nesta conversa, é apresentar sugestões de como trabalhar com as crianças e suas famílias esta data especial. Mas antes vamos conhecer melhor este homem à frente de seu tempo.

Geometria espacial para crianças

Utilize massinha, palitos e jujubas para desenvolver as primeiras noções sobre sólidos geométricos nos Anos Iniciais.


Um pouco de Malba Tahan

É possível que ao ler esse nome já se lembre do livro O Homem que calculava. Esta é apenas um dos 120 livros que o autor publicou – 75 deles referentes à Matemática.

Em sua obra mais conhecida, como escreveu o professor Sérgio Lorenzato explica, o matemático propõe “uma Matemática diferente da que frequenta as salas de aula”, com situações-problema diferentes e desafiadores, que estimulam o gosto pelo componente e propiciam “aos professores a transcendência dos limites pedagógicos e, aos alunos, uma aprendizagem com significado.”

Outro livro, infelizmente esgotado, que gosto muito é o Didática da Matemática (1965), no qual o escritor faz uma crítica à Matemática presente na prática pedagógica da época. Malba Tahan era contrário ao uso de problemas irreais e sem conexão com a realidade, e “o cálculo pelo cálculo”. O educador dizia que “como conseguirá o professor aguçar a inteligência, despertar o interesse científico, criar um clima de simpatia pelas belezas da Matemática, se persistir em arrastar o educando unicamente pelo mundo nebuloso das abstrações sem finalidades.”

Se quiser conhecer um pouco mais sobre este grande matemático, acesse aqui o site oficial do Malba Tahan.


Introduzindo a data com as crianças

Sempre comecei a celebração deste momento com uma roda de conversa sobre a Matemática, o que os alunos pensam dela e de que forma ela está presente no cotidiano. Por incrível que pareça, até os pequenos da Educação Infantil, já reproduzem o discurso de que era algo muito difícil.

No entanto, quando listávamos momentos que encontrávamos a Matemática, a turma via como ela está em quase tudo, seja no parque, nas brincadeiras e jogos e até na hora da merenda. Então, eu costumo os questionar: como algo que fazemos sem perceber poderia ser tão complicada? Permitir esta reflexão desde bem pequenos já é um passo para enxergar as belezas desse componente.

Se você quiser apresentar Malba Tahan para as crianças deixo duas sugestões: A primeira é conhecer e se inspirar nesta atividade proposta para uma turma de 3º ano. A segunda, propor uma roda de conversa baseada neste texto da revista Ciência Hoje para crianças.

Sugestões para envolver as famílias

Que tal aproveitar a data para convidar os responsáveis para a escola? Um caminho interessante de dinâmica com as famílias é organizar oficinas (ou estações) com propostas nas quais a Matemática seja apresentada de forma lúdica para que crianças e adultos possam (re)descobrir essa conexão.

Elabore com a turma um convite para ser entregue para as famílias com a proposta. Escreva um texto para acompanhar o convite ressaltando a importância das oficinas e da participação dos responsáveis para poder brincar e estar com as crianças descobrindo a Matemática.

Abaixo compartilho 5 ideias de estações que podem ser oferecidas no dia do encontro:

  1. Oficina com jogos: os participantes poderão jogar ou construir seus próprios jogos. Para a primeira opção, disponibilize jogos conhecidos como o dominó, baralho, de percurso, de dados, entre outros.

Para a segunda proposta, a de construção, ofereça materiais que criar jogos de percurso, em que terão que desenhar o percurso e pensar obstáculos a serem superados durante as jogadas. Nesta oficina estão envolvidas as noções de números e de operações.

  1. Oficina da pipa: forneça um passo a passo para construir uma pipa e proponha que eles coloquem a mão na massa para criar a sua. Nesta estação é possível exercitar as noções de geometria com os conceitos de ângulos, polígonos, simetria e medidas.

  2. Oficina da colagem: a partir do recorte de formas variadas (deixe que os participantes criem suas próprias formas), sugira que produzam uma obra artística. Se quiser, pode dar algumas para inspiração como as de Beatriz Milhazes, por exemplo.

  3. Oficina da construção: proponha que os participantes construam bom blocos de madeira um lugar conhecido da cidade em que moram. Esse exercício permite mobilizar as noções de espaço e de representação espacial. Se quiser, poderá convidar os participantes a criar brinquedos utilizando materiais de longo alcance.

  4. Oficina das brincadeiras: Faça um resgate de brincadeiras tradicionais como, por exemplo, a amarelinha, pular elástico, cama de gato, cabo de guerra, boliche, entre outras. Esta atividade trabalha noções espaciais e de quantidade. Sugiro que confira este e-book com mais sugestões que podem servir de inspiração.

Cada família pode escolher uma ou mais oficinas para participar. Ao final, proponha uma roda de conversa e pergunte o que acharam e se conseguiram enxergar a Matemática na proposta realizada. Caso não percebam, faça questionamentos que os permitam perceber, por exemplo, que ao recortar as formas e disponibilizá-las na folha estão em jogo noções de geometria, espaço e medidas – de uma forma mais divertida e significativa.

Deixe um espaço para que cada um registre a impressão dessa forma de ver (e trabalhar) a Matemática com a forma que aprenderam na época da escola. Para documentar, organize um padlet para compartilhar os registros fotográficos do evento e as impressões dos participantes.

E então, vamos fazer deste dia da Matemática um encontro para lá de especial e significativo envolvendo a comunidade escolar? Depois me conte os resultados.

Até a próxima!

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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