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Jornalismo

Sugestões para desenvolver o pensamento algébrico

Explorar as noções de regularidade e de igualdade são caminhos para abordar a unidade temática da BNCC nos Anos Iniciais

PorSelene Coletti

04/03/2022

Crédito: Getty Images

A álgebra é o campo matemático que utiliza símbolos, operações e as propriedades da aritmética para expressar generalizações. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a coloca como uma unidade temática e sugere que, já nos Anos Iniciais do Fundamental, os alunos entrem em contato com o “modo de pensar que antecede o uso da linguagem algébrica” para depois entrar de fato na álgebra – entenda aqui o que está previsto desse assunto na BNCC e conheça dois exemplos de propostas que podem ser trabalhadas com as crianças.

O documento propõe o desenvolvimento das noções de regularidade, generalização de padrões e propriedades de igualdade ao longo dos Anos Inicias.


Você pode estar se perguntando como abordar esses aspectos se hoje estamos com turmas com tantas outras necessidades de conteúdos em defasagem. Entre elas, temos as habilidades de contar, representar, ordenar números, resolver situações-problemas envolvendo as quatro operações.

Um trabalho não exclui o outro, essas aprendizagens mencionadas anteriormente devem ser desenvolvidas e estarão presentes em sua sala de aula. Dito isso, a seguir vou apresentar duas sugestões de caminhos para introduzir o pensamento algébrico.

Padrões na prática

Para abordar a ideia de regularidade é importante que seus alunos possam observar padrões e analisá-los para fazer generalizações. Isto está presente em habilidades previstas para turmas do 1º ao 4º ano.

Comece explorando os padrões de forma concreta. Pode utilizar o corpo, materiais de manipulação, massa de modelar, tampinhas ou palitos para que sua turma construa sequências repetitivas e as analise para identificar a existência (ou não) de uma regularidade. 

Neste e-book, desenvolvido pelo Grupo Colaborativo em Matemática (GRUCOMAT), do qual faço parte, você encontrará várias propostas para serem colocadas em prática para desenvolver esse tipo de habilidade.

Destaco a tarefa com as tiras de números que “relaciona a sequência numérica com as cores, explorando as ideias de par e ímpar com múltiplos de 2 ou 3.”

Reprodução da página 120 do e-book “O Desenvolvimento do Pensamento Algébrico na Educação Básica: Compartilhando Propostas de Sala de Aula com o Professor que Ensina (Ensinará) Matemática”, do GRUCOMAT. Material está disponível aqui.

Para que este trabalho atinja seus objetivos é preciso construir um ambiente favorável ao diálogo e de troca entre você e os alunos, e entre eles. Planeje boas intervenções para potencializar a reflexão da turma, estimular que eles conversem entre si para analisar e construir as generalizações.

Desenvolver o pensamento algébrico requer planejar tarefas desafiadoras, que potencializem a construção dos conceitos e coloquem o aluno como protagonista do processo de ensino e aprendizagem.

Curso gratuito: Álgebra no Fundamental 1

Neste curso, vamos discutir a inserção do pensamento algébrico nos Anos Iniciais e suas potencialidades para auxiliar na aprendizagem de conceitos mais elaborados que serão explorados nas próximas etapas.


Propriedade de igualdade

Compreender a ideia de igualdade é outra habilidade a ser trabalhada nesta unidade temática. A partir do 3º ano a BNCC propõe que o estudante compreenda que o sinal de igual indica não somente o resultado de uma operação (como 5+2=7), mas também traz a ideia de comparação (exemplo, 5+2=4+3). Nesta reportagem, você encontrará boas ideias para se inspirar e planejar propostas desafiadoras para a construção deste conceito.

A chave está em ter bem definido aquilo que quer (e precisa) trabalhar para poder planejar propostas com intencionalidade pedagógica. Também é importante problematizar as colocações trazidas pelos alunos para os estimular a trocar e promover o protagonismo deles.

Como sua prática colabora para desenvolver o pensamento algébrico? Conte para mim nos comentários.

Um abraço e até a próxima,

Selene

Selene Coletti é professora há 41 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita,  com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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