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Jornalismo

Utilize a altura das crianças para trabalhar a alfabetização matemática

Confira dicas para desenvolver noções da unidade temática grandezas e medidas previstas na BNCC

PorSelene Coletti

07/03/2022

Crédito: Acervo pessoal/Selene Coletti

Medir é algo que está presente no nosso dia a dia. Se eu perguntar “o que você já mediu hoje” certamente fará uma lista grande: as horas que trabalhou, a quilometragem que percorreu para chegar em casa, o dia do mês e da semana, o dinheiro gasto no mercado, a temperatura, dentre tantas outras. Medir e contar são ações realizadas diariamente por quase todas as pessoas, sejam adultos ou crianças. Já conversamos sobre isso por aqui.

Dessa forma, podemos afirmar que o trabalho com medidas está inserido em uma prática social. Como já falamos anteriormente, aproveitar essas situações reais é investir na alfabetização matemática das crianças.

Dessa forma, as crianças se mobilizam e constroem significados para o que estão fazendo. É possível começar explorando unidades de medidas não convencionais como, por exemplo, propõe este plano de aula.


Que tal avançar nas aprendizagens matemáticas utilizando a altura das crianças? Esse trabalho pode ser feito com turmas de 1º e 2º ano do Ensino Fundamental ou até mesmo com crianças pequenas da Educação Infantil. Para saber como fazer esse trabalho, continue neste texto.

Medição para organizar a fila

Um bom caminho é começar explorando o livro Farra no Formigueiro, de Liliana e Michele Iacoca (Editora Ática), no qual as formigas precisam se organizar em fila. Proponha que a turma brinque de imitar as formigas formando a fila que no caso é do maior para o menor, porém sem mencionar o critério.

Na minha escola temos o costume de formar a fila na hora da chegada e saída. Eu sempre aproveitei esse momento para pedir que eles se organizassem de maneira que formassem os degraus de uma escadinha.

Em todas as minhas turmas, os alunos costumavam medir pela altura dos ombros. Certa vez, uma das crianças sugeriu fazer marcas na parede a partir de vivência que teve em casa. Para aproveitar essa sugestão, fixei um papel kraft grande na parede e fizemos registrando o tamanho de cada criança – sempre identificando com o nome. Durante esse momento eu perguntava, antes de medir, se a marca seria maior ou menor daquela já feita.

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Após ficar pronto discutíamos quem eram os mais altos, os mais baixos e quantos possuíam a mesma medida – ao trazer esses questionamentos é importante sempre pedir que a criança justifique sua resposta. O interessante que, no momento de organizar a fila, as crianças recorriam às marcações e a fila ficava certinha.

Montando um gráfico com barbantes

A partir das medições na parede é possível cortar barbantes ou fitas com a altura de cada criança e colar na parede a partir de uma mesma base – já fiz com fita de cetim fina e tem um efeito bem legal. As crianças costumam brincar de medir uns aos outros (ou a si mesmo) utilizando os cordões.

É interessante fazer as medidas em dois ou três momentos diferentes durante o ano para comparar o crescimento das crianças. Ao realizar a primeira medição, sempre perguntava o que iria acontecer quando fôssemos medir novamente na folha 7 do calendário (em julho). Costumava anotar as respostas para retomá-las e contrapor com os resultados.

Ao constatar o crescimento (ou não) é possível propor que busquem a explicação do motivo em outra área do conhecimento: ciências. Os gráficos e as conclusões podem se transformar na produção de um folheto informativo sobre o por que crescemos – esse material pode ser compartilhado com as outras classes e famílias.

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A girafinha da altura

Muitas classes de alfabetização possuem a girafinha graduada de altura. Se você não a conhece, é uma “régua” de parede na forma de girafa (brincando com a ideia do pescoço comprido do animal).

Você poderá introduzir esse objeto após o trabalho com as marcas da altura – seja na proposta com o papel kraft ou com as fitas/barbantes. Depois desse exercício, pergunte às crianças se há outra forma para medir com maior exatidão. 

Tive uma turma que, após realizar este tipo de medição, uma aluna disse que havíamos aprendido a organizar a fila certinha por ordem de altura e outra completou “de um jeito que não tinha mais como dar errado.”

Em seguida, apresente a girafinha como um instrumento para ajudar nesse trabalho, questionando antes se a medida permanece a mesma se medir com ou sem calçado bem como a posição na girafinha. Nesta proposta, enquanto mede toda a turma, você deve anotar as alturas numa tabela.

Em um momento posterior escreva a altura de cada criança em quadrados de mesmo tamanho – também pode solicitar que cada aluno faça o seu. No final, deve ficar como na imagem abaixo. Isto é, se Claudia medir 1,09 m, escreverá 109 cm no quadrado.

Crédito: Acervo pessoal/Selene Coletti

Em seguida, utilize um barbante para criar um varal e peça, de maneira aleatória, para que cada um vá pendurar o seu papel nele. A ideia é formar uma reta numérica com as alturas para explorá-las. Por isso, se pendurarem de forma equivocada, é importante questionar. Quando estiver pronto, pergunte como é possível saber quem é o mais alto, o mais baixo, quantos possuem a mesma altura, dentre outros questionamentos. Dessa forma, estará explorando também as noções do sistema de numeração decimal, maior e menor, sucessor e antecessor, já que cada um terá de encontrar o melhor lugar para colocar o seu tamanho no varal.

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A trilha de 20h de formação é composta por cinco cursos. Eles foram desenvolvidos para você colocar a BNCC no planejamento das aulas de Matemática. Terá acesso a um bom embasamento teórico e conhecerá sugestões atividades e recursos para você aplicar temas importantes nas turmas de anos iniciais.


É possível utilizar esta sugestão com turmas de 2º ano. A experiência de medição também pode render situações-problemas. Por exemplo, chegou na classe alguém que mede 115 cm, qual seria o lugar dele na organização da fila? Ou se eu colocar o João que mede 118 cm na frente deste novo amigo, a fila ficará organizada?

Estas são algumas ideias de como é possível (re)introduzir as medidas de comprimento para fortalecer a alfabetização matemática.

E nas suas classes, a medida de comprimento, neste início de ano está presente? De que maneira você costuma trabalhar? Conte-me nos comentários.

Até a próxima!

Selene

Selene Coletti é professora há 40 anos na rede pública. Atuou na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos, lecionando do 1º ao 5º ano. Em 2016, foi uma das ganhadoras do Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita,  com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada e também como formadora da Educação Infantil na Prefeitura de Itatiba (SP). Atualmente é vice-diretora da EMEB Philomena Zupardo, em Itatiba.

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