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Confira uma atividade de Geografia que usa a Copa do Mundo para falar de imigração

Torneio foi o mote encontrado pelo professor Endrigo Pascoal Gonçalves para levar os estudantes a refletir sobre o impacto dos deslocamentos populacionais, com especial atenção à questão da xenofobia

Autor: Rita Trevisan

Para discutir os processos de imigração na Europa, a situação dos refugiados, o intercâmbio cultural entre as nações e a xeonofobia, o professor Endrigo Pascoal Gonçalves da EMEF Rodrigues Alves, na cidade de São Paulo, usou a Copa do Mundo como tema de uma atividade. O professor buscava aumentar a motivação dos estudantes do 9º ano para pesquisar o tema e queria estimulá-los a posicionar-se criticamente sobre essas questões.

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Assim, para desenvolver uma sequência didática, que os alunos pudessem compreender com facilidade, Endrigo considerou a realidade da comunidade escolar. “Como na escola temos diversos estudantes bolivianos, e a temática dos venezuelanos no Brasil também tem merecido destaque na mídia, resolvi dar ênfase a esses aspectos ao tratar dos deslocamentos no espaço e das imbricadas relações que se estabelecem a partir daí”, diz.

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 Na prática

A seguir, veja como o professor desenvolveu a sequência didática, em etapas:

Etapa 1: 
A proposta era identificar entre as seleções, os jogadores imigrantes (ou descendentes de imigrantes) e refugiados. 

Estratégia: 
O professor pediu aos estudantes que pesquisassem, em casa, sobre as seleções de cada país com o objetivo de levantar essas informações. Cada aluno pesquisou uma seleção. Após esse levantamento inicial, os alunos indicaram um jogador imigrante ou refugiado e fizeram uma pesquisa mais aprofundada sobre aquele atleta, indicando condição atual, origem, trajetória profissional e outros fatos.   

 Intervenção do professor: 
Nessa etapa, o papel do professor foi o de apoiar as pesquisas feitas na Internet. “Alguns estudantes tiveram dificuldade de encontrar informações e juntos, buscamos sites que trouxessem esses dados e que, ao mesmo tempo, fossem fontes confiáveis”, explica Gonçalves. 
Etapa 2: 
Produzir um texto com um resumo das informações pesquisadas.

 Estratégia: 
Após finalizar toda a etapa de investigação, cada estudante escreveu um texto biográfico sobre o jogador escolhido. Os registros foram expostos na Feira Cultural promovida pela escola.  

 Intervenção do professor: 
O professor orientou os estudantes na seleção de dados a serem incorporados ao texto.
Etapa 3: 
Customizar um mapa com as bandeiras dos países cujas seleções contavam com jogadores imigrantes.  

Estratégia: 
Os estudantes, trabalhando em grupo, projetaram o mapa no papel craft e, em seguida, pintaram com as bandeiras dos países pesquisados.


 Intervenção do professor: 
Sem interferir na atividade prática, o professor apenas retirou dúvidas pontuais dos alunos quanto às representações cartográficas. 
Etapa 4: 
Estudar, mais a fundo, a questão dos refugiados, estabelecendo comparativo com a situação desse grupo populacional no Brasil.

Estratégia: 
O professor apresentou aos estudantes um episódio da série Profissão Repórter com o tema Refugiados.  

 Intervenção do professor: 
Após a apresentação do vídeo, Endrigo discutiu com os alunos a questão dos refugiados e introduziu o tema xenofobia, ligando-a ao crescimento da extrema direita na Europa. Nas aulas subsequentes, os alunos estabeleceram um paralelo com a questão dos refugiados e o contexto político brasileiro. 
Etapa 5: 
Consolidar os saberes adquiridos 

Estratégia: 
Na etapa final, o professor pediu que os estudantes elaborassem uma produção cultural, de escolha livre, representando os conhecimentos adquiridos na sequência didática: um quadrinho, um poema, um slam, uma música etc.   

 Intervenção do professor: 
“Os alunos foram avaliados durante todo o processo quanto à participação e à produção apresentada. Para a avaliação final, pensei em algo em que eles pudessem posicionar-se de modo crítico, expressando a visão que construíram sobre os conteúdos que foram acessados”, diz. 

 

Competências específicas trabalhadas

Por meio da sequência proposta, o professor trabalhou com várias competências específicas do Componente, descritas na Base:

  • Utilizar os conhecimentos geográficos para entender a interação sociedade/natureza e exercitar o interesse e o espírito de investigação e de resolução de problemas.
  • Desenvolver autonomia e senso crítico para compreensão e aplicação do raciocínio geográfico na análise da ocupação humana e produção do espaço, envolvendo os princípios de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, extensão, localização e ordem.
  • Desenvolver o pensamento espacial, fazendo uso das linguagens cartográficas e iconográficas, de diferentes gêneros textuais e das geotecnologias para a resolução de problemas que envolvam informações geográficas.
  • Desenvolver e utilizar processos, práticas e procedimentos de investigação para compreender o mundo natural, social, econômico, político e o meio técnico-científico e informacional, avaliar ações e propor perguntas e soluções (inclusive tecnológicas) para questões que requerem conhecimentos científicos da Geografia.
  • Construir argumentos com base em informações geográficas, debater e defender ideias e pontos de vista que respeitem e promovam a consciência socioambiental e o respeito à biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer natureza.