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5 pontos para abordar a morte em sala de aula

Acolher as inquietações de cada um e responder às dúvidas com explicações verdadeiras é um caminho para auxiliar a superar uma perda

Bianca Bibiano

Ilustração: Eduardo Recife
TERMINA A VIDA. O QUE VEM DEPOIS?
Quem enfrenta a tristeza de uma morte vivencia o luto até a perda ser aceita. Para auxiliar a enfrentar essa fase, é preciso falar com sinceridade. Respostas fantasiosas tendem a prolongar o sofrimento. 
Ilustrações: Eduardo Recife

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Reportagem

Plano de aula

"É uma coisa curiosa a morte (...). Todos nós sabemos que o nosso tempo neste mundo é limitado e que eventualmente todos nós acabaremos embaixo de algum lençol para nunca mais despertar. E, no entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece com alguém que conhecemos." Reflita por alguns instantes sobre como você se sentiu ao ler essa citação do autor infanto-juvenil Lemony Snicket, no livro Raiz-Forte. Quais sentimentos preveleceram: medo? Resignação? Indignação? Identificação? A resposta depende da maneira como cada um lidou (e lida) com as inevitáveis perdas que a vida nos traz - a de um amigo que se mudou para longe, o desaparecimento de um animal de estimação ou a morte de um parente querido. Sempre que um desses eventos ocorre, passamos pela chamada elaboração do luto - um processo psicológico que atinge o indivíduo, sua família e os grupos da sociedade dos quais ele participa, um período doloroso (e necessário) de intensa tristeza, que dura até que a pessoa aceite a perda e possa seguir em frente com a vida.

Embora as crianças (sobretudo as mais novas) ainda não compreendam inteiramente a ideia de morte, o assunto deve ser discutido na escola para que elas tenham a oportunidade de trocar opiniões com os colegas e também encontrar apoio para encarar o sofrimento. A origem da crise, em geral, se dá com a morte de um familiar ou de uma pessoa próxima, mas também pode ocorrer em casos como a separação dos pais, a morte de uma personalidade famosa e até de uma mudança brusca, como a troca de cidade ou de escola. Todas essas situações geram dificuldades para as crianças. Como o comportamento das pessoas ao redor interfere no enfrentamento das perdas, uma intervenção adequada no momento certo é de grande importância, podendo ajudar no encaminhamento do luto e no restabelecimento das condições emocionais dos pequenos.

Para os estudiosos do tema, o principal requisito para uma atuação eficaz é se apoiar na verdade. Afinal, uma informação distorcida pode interferir na conscientização da perda e na sua aceitação. "A morte faz parte do processo da vida. Contar uma mentira, dizer que a pessoa foi viajar, que virou estrela ou qualquer outra resposta evasiva só irá prolongar o sofrimento. Quando se deparar com a verdade, a criança se sentirá enganada e a relação de confiança será quebrada", explica Valéria Tinoco, supervisora do Instituto de Psicologia 4 Estações, em São Paulo.

Ilustração: Eduardo Recife
VAI-SE O LUTO, FICAM AS LEMBRANÇAS
Passado o período de intensa tristeza, a criança não esquece o que ocorreu. A perda continua sendo uma lembrança muitas vezes dolorosa, mas já não a impede de tocar a vida em frente.

Isso, entretanto, não significa que a discussão do tema na escola seja simples. Para ajudar a lidar com a situação, é preciso levar em conta diversos fatores, que dizem respeito principalmente à fase de desenvolvimento em que cada criança se encontra e ao ambiente que a cerca. Abaixo, você confere cinco pontos essenciais que devem ser considerados na hora de abordar a morte com suas turmas.

Reportagem sugerida por 1 leitora: Cláudia Fernanda Rodrigues, São Paulo, SP

* Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos estudantes.

Quer saber mais?

CONTATOS
Colégio João Paulo I, tel. (11) 3742-8203
Creche Central da USP, tel. (11) 3032.2233
EMEB Graciliano Ramos, tel. (11) 4354-9917
Maria Júlia Kovács
Solange Capaverde
Valéria Tinoco

BIBLIOGRAFIA
A Criança Diante da Morte - Desafios, Wilma da Costa Torres, 180 págs., Ed. Casa do Psicólogo, tel. (11) 3034-3600, 32 reais
O Dia em Que o Passarinho Não Cantou, Luciana Mazorra e Valéria Tinoco, 24 págs., Ed. Livro Pleno, 
tel. (19) 3243-6441, 21 reais
Raiz-Forte, Lemony Snicket, 176 págs., Ed. Companhia das Letras, tel. (11) 3707-3500, 32,50 reais

INTERNET
Pesquisas e indicações de bibliografia, músicas e filmes para trabalhar o tema

bruna patricia de medeiros silva - Postado em 02/08/2010 08:22:01

A morte e uma realidade em nossas vidas ,e muito delicado a exposição desse assunto em uma sala de aula com crianças ,essa exposição deve ser feita com muito cuidado,concordo com a escritora quando ela ressalta q não devemos esconder ou enganar as crianças contado historias do tipo ele ou ela foi viajar. Porem contar a verdade nessa hora deve ser feita com muita cautela e principalmente respeitando a dor e a saudade naquele momento. A criança deve ter seu proprio momento e o educador deve respeitar como ela ira agir e sua opiniões nesse momento.

yura wana pereira de sá leitão - Postado em 26/07/2010 14:43:32

Realmente lidar com a morte e muito dificil, principalmente quando precisamos mostrar a realidade a criança. Algumas por serem pequenas no momento não ira entender outras poderam entender e ai que entra a explicação de valéria Tinôco que diz que não devemos enganar as crianças pois um dia essa história sera mudada e a criança ira sofrer novamente. Os cinco pontos são considerados de grande importancia na hora de abordar esse fato em sala de aula, pois lá talvez a peda de um ente querido possa ser superado com a ajuda dos colegas de sala amenisando assim a dor dar morte.

Publicado em NOVA ESCOLAEdição 233, Junho/Julho 2010, com o título A morte, sem rodeios

 

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