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É hora de aprender a classificar os animais

Logo no início do Ensino Fundamental, os estudantes precisam ampliar seus conhecimentos sobre o tema, se apropriando do vocabulário científico, que organiza os bichos em répteis, mamíferos, aves, peixes e anfíbios

por:
TP
Tatiana Pinheiro
Março de 2012

Para aprender a classificar os animais tal como os cientistas, os alunos da Escola Móbile discutem coletivamente como organizar grupos distintos. (Crédito: Fernanda Preto)

 

"Galinha e pássaro fazem parte do mesmo grupo porque têm penas." "Peixe, pinguim e pato ficam juntos porque nadam." "Cavalo, gato e cachorro têm quatro patas, então, devem formar outro conjunto." "Golfinho e tubarão são peixes porque sabem nadar." É assim que os alunos do 3º ano da Escola Móbile, em São Paulo, justificam suas escolhas durante a tarefa de classificar os animais proposta pela professora Adriana Caravieri Rosa. Para analisar o que as crianças já sabem, ela distribui fotos de bichos e pede que, em equipe, elas as separem de acordo com algum critério que julguem válido e eficiente.

Como é possível notar, a atividade de sondagem revela que, mesmo com falas um pouco distantes do vocabulário científico, que classifica os animais formalmente em mamíferos, répteis, aves, peixes e anfíbios, a meninada já tem algumas noções válidas que vão servir de base para dominar esse conteúdo.

Qual o primeiro passo para a turma avançar? Não adianta apresentar os termos formais e montar uma lista, separando os animais de acordo com suas características. O ideal é encaminhar os alunos a notar as fragilidades das classificações propostas por eles mesmos e justificar o que está correto.

Isso não quer dizer apontar que está errado reunir peixes, pinguins e patos no mesmo grupo, mas, sim, que essa maneira não funciona para os cientistas porque são animais com características muito distintas, que precisam ser estudadas para que eles sejam organizados de outro modo. Levar em conta o tamanho dos bichos para agrupá-los ou então considerar somente um atributo (como ter quatro patas) são ideias que precisam ser revistas, pois apresentam fragilidades e, muitas vezes, são contraditórias.

"Uma das minhas intervenções é questionar se todos concordam com as sugestões apresentadas. Depois pergunto quais mudanças indicam e proponho utilizarmos outros critérios ao mesmo tempo, por exemplo, a forma de locomoção e o tipo de ambiente em que os animais vivem", explica Adriana (leia a tabela na próxima página). Dessa forma, a professora encaminha a turma a considerar não só as características físicas externas dos bichos para classificá-los - os lagartos têm quatro patas e nem por isso, do ponto de vista científico, fazem parte do mesmo grupo dos cachorros, não é mesmo?

 

Cada macaco (e outros bichos) no seu galho Algumas características ajudam os alunos a compreender como e por que os animais são organizados em classes | Fonte Luciana Vieira Gomes de Souza, bióloga licenciada pela Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul)

 

Tipo de reprodução e de habitat são características importantes

Antes de trabalhar o tema em sala, é importante estudar bem o assunto - para não passar informações erradas e poder responder com segurança às crianças o que elas perguntam. É óbvio que fazer pesquisas durante o trabalho para solucionar as dúvidas que surgirem e aprender algo curioso com a garotada é normal. Mas o básico você precisa saber. A começar por um pouco de história. Sabe por quê, desde quando e como os bichos são classificados do ponto de vista científico? Organizar, classificar e ordenar os animais é um meio de ter controle sobre eles - e há muito tempo o homem se dedica a essa tarefa.

A primeira proposta de classificação de que se tem notícia é do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). Como critério, ele considerava as características externas dos bichos e a utilidade deles para o homem. O resultado foi a divisão em vertebrados e invertebrados (respectivamente, aqueles que têm e não têm coluna vertebral). Embora ambos os conceitos sejam utilizados até hoje, Carlos de Godoy, consultor de Ciências da Móbile, alerta que essa é só uma divisão informal para facilitar o entendimento da organização. Ela não tem valor para a taxonomia, a ciência da classificação dos seres.

As categorias de classificação em vigor atualmente foram elaboradas no século 18 pelo cientista sueco Carlos Lineu (1707-1778). Ele criou as divisões reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. "Elas são organizadas em ordem decrescente: espécies com características em comum formam um gênero e diversos gêneros com semelhanças consideráveis constituem uma família e assim por diante", diz Marcio Cotomacci, pesquisador da Sangari Brasil, em São Paulo.

O trabalho realizado pela turma da Móbile tem a ver com o reino animal e com as classes dos répteis, peixes, anfíbios, mamíferos e das aves. Para sistematizar o conteúdo, Adriana montou uma tabela de dupla entrada (como a que ilustra esta reportagem). Ela listou os itens hábitat, respiração, locomoção e reprodução na primeira coluna e pediu que as crianças preenchessem cada uma das colunas seguintes com as informações referentes a um animal. Depois de muitas pesquisas, a professora ajudou a turma a aproximar os bichos com o maior número de características semelhantes. Para finalizar a tabela, apresentou o nome das classes dos animais. Dessa maneira, Adriana fez com que as crianças aprendessem participando do processo.

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